10.4.09

sobre música, bateria e dias passados.

hoje foi um dia dos mais difíceis de acontecer. levantei antes das três da tarde num dia que não teria que trabalhar, passei a tarde inteira pegando pedaços pela casa, limpando e montando minha bateria. ainda consegui sentar atrás dela e tirar um sonzinho. depois desmontei, limpei mais um pouco, organizei todas as coisas e desmontei. sinto falta de tocar. fazia tanto tempo que eu não olhava para todas as peças juntas e montadinhas que eu não lembrava o quanto ela é linda. o quanto eu amo o fato de eu ter conseguido realizar um sonho ao comprá-la e ao ter aprendido a tocar.

quanto era impossível no começo eu manter o tempo e até entender que raios um tempo era! coisa inimaginável para um baterista. ela me ajudou muito a evoluir tocando. há um ano tenho tocado air drums pelo simples fato de não poder tocá-la. tinha que sentar atrás dela e ver se eu tinha conseguido aprender as coisas que eu achei que eu tinha aprendido, e não é que eu aprendi mesmo?

estou nostálgica e vou escrever sobre como eu comecei a tocar. uma porque você que lê provavelmente não sabe a peleja travada que foi para essa que lhe fala aprender a tocar mal um instrumento musical outra porque eu estou afim de me mostrar um pouco.

tudo começou em 2004 ou 2005, não me lembro direito. cursinho pré-vestibular, a época que eu aprendi a viver aos olhos de alguns e desandei aos olhos de outros, vida social em crescimento acelerado, quando uma menina bem idiota vira e fala a seguinte frase: "vamos fazer uma banda?" e essa que vos escreve responde "porra, demorou!". na época, não sabia tocar nada, muito menos cantar. mesmo assim fomos em frente. e não é que a bandinha deu certo? deu mais certo do que eu queria que tivesse dado no começo da história. cheguei até a ir para outro estado tocar, e foi a viagem mais legal da minha vida. isso tudo foi um grande sonho incrível realizado. um sonho que não teria condição alguma de ter sido realizado. não tenho talento musical algum. sou uma pata.

quando eu era adolescentezinha, 14, 15 anos, eu sempre ficava triste depois de assistir a qualquer apresentação musical ao vivo e não entendia bem o motivo. depois de um tempo eu descobri que era porque eu queria muito ter uma banda e estar em cima de um palco com pessoas olhando pra mim e pulando ou balançando a cabeça ou batendo o pé no ritmo da música. mas, mesmo assim, não tinha talento musical algum, isso jamais aconteceria. então, quando a menina idiota mencionada acima falou a frase que também já foi escrita, ela mudou minha vida. começamos com a banda, chamamos mais uma pessoa, e a configuração inicial foi duas guitarras, as duas meninas, e vocal, eu. eu não sei cantar, nunca aprendi e não tenho o mínimo talento. mas fomos levando assim, descobrimos que tínhamos muita química musical, compor músicas era extremamente fácil para nós três.

até que aconteceu algo extremamente inusitado, inesperado e bizarro. uma professora de inglês que tive estava migrando de instrumento musical e ela não tinha espaço para o kit de bateria dela. ela simplesmente me deu o equipamento dela. assim, sem mais nem menos, ela deu. tudo bem que o equipamento não era lá grande coisa, mas para quem não tinha nada, foi algo incrível, sou eternamente grata à ela. com a chegada inesperada do instrumento mais caro e mais difícil de achar alguém que tocasse, chamamos uma menina que estudou na mesma escola que eu para tocar baixo, a menina que falou a frase que mudou minha vida foi para os vocais e eu assumi os tambores. logo depois disso acontecer, um amigo me apresentou um amigo dele que nos chamou para fazer um show. o logo depois que me refiro é questão de um dia ou dois. falei com as meninas, topamos e fechamos o show. teríamos um mês para fazer um setlist com músicas próprias e covers e, o mais difícil, eu teria um mês para aprender a tocar todas as músicas.

aí, você pode pensar: "ah, um mês, de boa.". não, não era de boa. lembro-lhe que estamos falando de mim, a pessoa que não tem talento musical. a pessoa que não sabia o que era tempo, não tinha o mínimo de coordenação motora básica, imagina interdependência nos quatro membros? era algo inimaginável aprender a tocar um set list com mais de dez músicas em um mês. absolutamente ninguém acreditava que eu conseguiria, membros da banda chegaram a sugerir que arrumássemos um baterista de verdade para tocar naquele show. nem mesmo minha mãe acreditava que eu conseguiria. o mês passou, ensaiamos loucamente durante todo ele e só lhe digo uma coisa: foi o show que eu menos errei em toda minha vida. foi um dos dias mais felizes da minha vida, foi o dia que eu tive tudo que eu sempre queria ter tido.

depois disso, e com um emprego estável e decente, comprei uma bateria de verdade, a mesma que me acompanha até os dias atuais. fui melhorando aos poucos, a banda foi crescendo, ganhando espaço, fazendo até dois shows no mesmo dia, sendo convidada pra festivais grandes da cena que tentávamos conseguir algum espaço. gravamos um cd demo que ficou bom, fomos tocar fora do estado, fizemos shows em casas de show de respeito na cena alternativa de são paulo. no meio tempo, comecei a fazer aulas. fiz seis meses de aulas com um professor que tocava muito bem mas eu não sei bem se ele era um bom professor ou não, o que importa é que eu evoluí um pouco. logo depois disso, larguei a banda, a bateria e a música. pensei em vender a bateria e todo o equipamento que comprei para usar o dinheiro para outras coisas, pensei em largar a música e tudo mais, afinal, meu sonho já tinha se realizado.

nos últimos tempos tenho sentido uma falta imensa de tocar. imensa mesmo. talvez eu entre para uma banda e estou montando um praticável (para os leigos é uma paradinha que dá pra treinar bateria sem fazer barulho). a música volta aos poucos à minha vida, ela faz falta e talvez eu volte a estar feliz como eu estava na época da finada banda.

escrevi tudo isso porque brincar de montar a bateria e sentar atrás dela e tocar um pouco me fez ver o quanto isso é importante pra mim e hoje eu acho que eu nunca vou vender minha bateria ou me desfazer dela. nós duas ainda vamos conseguir muita coisa juntas.

6 comentários:

Matheus Vinícius disse...

cowy, tu me fez montar a bateria de novo!

Matheus Vinícius disse...

e esse nome ridículo, é o do nino do fórum (:

Vitor Garcia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor Garcia disse...

Vai de novo.... Parabéns pelo blog! bem legal!

Vitor.

Mandarim disse...

E depois você diz que é uma pata...

Cowy, não acredito em você quando você se menospreza. Você sabe que tem muito talento aí dentro, esperando pra aflorar. Basta você deixar que ele se aflore e se instale em você. Você é professora de inglês, baterista, escritora... Pode tudo nessa vida, basta acreditar mais em você..!!!

Beijos.

Mercedes disse...

Oi, Cowy. Achei seu blog enquanto procurava uma luz sobre a melhor bateria para manter e usar, num apartamento, num quartinho de 1,60 x 2,00 m ... vc pode me ajudar? Obrigada.