16.4.10

monólogos sobre a amizade. parte II

sinta-se privilegiada, escrevo sobre você ouvindo vivaldi. não é pra qualquer um. como todo e qualquer amigo ou conhecido meu, você é completamente desajustada. é pré-requisito e tal. apesar de ser desajustada, desregulada, demente, compulsante e todo e qualquer adjetivo degradante que possa vir à mente no momento, incrivelmente, você consegue superar todos eles com as coisas boas. e isso é bem insano.

você me entende, sabe porque eu faço uma ou outra coisa, ficou do meu lado quando o mundo resolveu que ia ficar todo trabalhado no mimimi melodramático e ridículo. só você e ele tiveram colhões pra fazer tal coisa e é por isso que eu amo vocês dois. amo do meu jeito, que nem é um amar tão direito assim. mas, olha só, você nem se importa.

eu te detesto por várias razões. detesto que você seja tão parecida comigo em muitos aspectos. detesto que quando a gente passa noites e noites conversando e divagando sobre nossas brisas meio dementes eu chego conclusões excruciantes sobre mim, a vida, o universo e tudo mais. te detesto por respeitar nosas diferenças abissais que começam na música e passam por todo tipo bizarro de coisa. o que não é igual é antagônico, e você sabe respeitar isso, e eu te detesto por isso também.

no dia que eu te encontrei eu tava meio bêbada, acho que foi a penúltima vez que eu fiquei bêbada. fui parar na sua casa sei lá como, depois trocamos horas de papo juntamente uma à outra. acho que só chegamos onde chegamos tão rápido porque eu tava meio bêbada naquele dia. o que mais me espantou é que depois da hora de papo trocada parecia que eu te conhecia há milênios. aquele sentimento fraternal de estar em casa meio bizarro que só acontecem com certas pessoas, e, adivinha, te detesto por isso também. você respeita minha falta de memória latente e já começa frases com "eu sei que você não se lembra mas...", você decide a minha vida por mim e só me informa do que irá se suceder. e eu te detesto por isso também. te detesto por mais algumas dúzias de coisas.

na verdade, eu detesto como você se fez presente, se faz presente e se fará presente. esse tipo de coisa me incomoda. porque eu sei que no fim, naquele fim lá, o último deles, você vai estar lá. nem me pergunta por que nem como eu sei, mas eu sei, e você sabe que quando eu sei das coisas eu realmente sei delas e elas acontecem. isso me dá medo porque você não vai deixar que eu enjoe de você. porque mesmo quando eu tiver enjoada, você vai estar lá conversando comigo e me mostrando coisas que eu não veria sozinha, e vai me mandar a merda por estar enjoada e realmente vai ignorar o fato e fazer tudo normal.

acho que não expliquei bem o motivo de eu te detestar tanto. eu detesto tudo isso porque eu realmente amo tudo isso em você. e destesto porque, por mais que eu saiba que não vai acontecer, no dia que você for embora - ou eu, vai saber - vai ser mais chato do que no dia que muita gente for embora. detesto tudo isso porque é meio que insubstituível. ninguém vai ter a sinergia que a gente bizarramente tem. ninguém vai entender a minha sinceridade do jeito que você entende. ninguém vai ver o que você vê, e que pra você - e só pra você - eu deixo explícito, sem surtar ou fazer qualquer coisa mais detestável. acho incrível como você não acha nada bizarro.

lembra como eu surgi do nada na sua vida e que nas duas próximas semanas ao nosso primeiro encontro eu praticamente morei nos fins de semana na sua casa? lembra que coisa mais absurda, naquele fatídico dia que nunca mais cresceu grama no canteirinho, uma galera surgiu do nada e eu fui com você pra sua casa pra ter certeza que você ficaria bem? gastamos uns cinquenta reais com doce e refrigerante e panguamos na sua casa fumando muito, falando muita bosta, você chorando esporádicamente, eu falando do seu futuro e ouvindo música estranha? lembra que eu disse que ia ficar tudo bem e que ia passar e você ia rir daquilo tudo? e no fim até que ficou. tá ficando. uma hora fica, sempre fica.

eu acho fofo como você tenta reconciliar as pessoas que não entendem as coisas que eu faço. acho fofo mais do que chato ou trazedor de drama. ah, detesto como você não faz drama nenhum comigo. eu detesto tanta coisa em você, mas tanta coisa.

lembra aquele dia que todo mundo tava dormindo, não tinha lugar pra gente dormir e ficamos divagando sobre aquelas coisas doidas? a conversa tava super interessante e fomos interrompidas por uma cliente da cantina da potyra? cara, aquela conversa me trouxe o que eu precisava. um tantinho a mais de temperança. acho bizarro como você tá sempre por perto nas horas que a temperança dá um oi.

não é porque você tem praticamente a minha idade, nem porque a gente já passou por muita coisa parecida, mas eu vejo em você alguém que eu possa contar também. porque ser sempre quem é mais calmo e quem pondera mais sobre os assuntos e aconselha é cansativo. é bom ter alguém que possa fazer essas coisas pela gente de vez em quando. acho legal também como a gente reveza na hora de fazer essas coisas. uma sua, uma minha, vice-versa.

obrigada por eu saber que você vai invariavelmente estar lá por mim, por qualquer motivo, em qualquer hora. você vai estar lá. obrigada por se detestavelmente insubstituível. obrigada por entender como a minha cabeça funciona. obrigada por entender a minha sinceridade. obrigada por entender todos os meus lados e minhas facetas e minhas vertentes e minhas personalidades. obrigada por passar noites em claro comigo. obrigada por ter impedido que eu pegasse alguma dst. e meu, isso tudo ficou muito mimizento.

3 comentários:

Praguejento disse...

eu ri do "fomos interrompidas por um cliente da cantina da potyra" hahahahahahahahahaha!!!

quem era?

fels disse...

Obrigado por me detestar. Espero que você me deteste por muito e muito tempo ainda.






*Lágrima se formando.


Sério, primeira vez que você me deixa sem palavras.

Edilson Marques disse...

Na verdade, a foto da antena tem uma sacada, pois na minha camiseta há microfones. Sacou? Eu sou a "estação", eheh.

Este texto é baseado em fatos e pessoas reais? Ouch! Eu já te disse, tome lítio.

Obs.: Mal acabo de ler este post e já tem outro. #$@&*$!!!