acho que minhas férias estão acabando.
ou pelo menos espero que.
17.3.11
BAAAAAARH?
daí que você entrou na minha vida da forma que eu menos esperava. daí que eu decidi que ia ver qual que era a da brincadeira. daí que você, de algum jeito que eu não entendo até hoje, fez com que eu não pudesse mais imaginar a vida sem você - foi trabalho de macumba, né?
você mudou e tem mudado minha vida, você tem me feito crescer (coisa que nem o médico conseguiu) e você tem sido a excessão das excessões. primeiro porque você gosta de mim, segundo porque você gosta de mim e é inteligente, teceiro porque você gosta de mim, é inteligente e bonita. combo 3 ninguém nunca tinha ganhado.
por mais que você ache que não tem nada a acrescentar você tem acrescentado muita coisa para mim. você tem me feito pensar nas coisas em combo e não unitárias, você tem me feito pensar nas minhas escolhas para que as coisas continuem a ser em combos. numa alusão brega, se eu fosse o século vinte, você seria o petróleo. (sem nenhuma piadinha racista inclusa)
quanto mais tempo eu passo com você, mais eu quero passar, e isso é extremamente não-natural nesses campos de tabaco do meus domínios. eu sempre priorizei meu espaço único e intransferível, foi deveras estranho achar alguém que partilhasse o mesmo espaço que eu e não me incomodasse. e quando você está longe, eu até consigo suportar o fato de ter a cama só pra mim, mas não consigo suportar de maneira alguma a ideia de não saber o que está acontecendo com você.
e isso não é ciúme, não é medo que você ache um corpo apetitoso, não é medo que você esteja se divertindo sozinha. é medo de que aconteça algo terrível e mortífero com você - tipo escorregar na faixa de pedestre e ser praticamente decaptada por uma moto (sim, eu pensei nessa possibilidade) -, porque eu consigo suportar a ideia de que você não queira ter mais minha presença, sério, consigo, desde que você esteja bem. e você sabe o bem que eu quero dizer. isso porque você fez com que eu colocasse você antes de mim - o que é absolutamente incomum. isso porque eu consigo compactuar com a ideia de estar novamente do jeito que eu considero normal para minha vida (o qual não é agradável) desde que você esteja bem. isso não quer dizer que eu ficaria de qualquer forma bem se você assim se decidisse por isso, eu ficaria detonada e fodida e muitos outros adjetivos ruins que se possa imaginar e que existam no dicionário, mas isso quereria dizer que valeria à pena desde que você estivesse bem.
você quebrou muitos paradigmas que eu tinha enraizados em mim. você tem feito uma pessoa que é praticamente religiosa com hábitos babacas estar disposta a mudar todos eles para que haja uma convivência mais harmoniosa. e eu não me importo nem um pouco com isso. você tem feito tudo ficar melhor, mesmo as coisas mais escrotas e estúpidas do mundo como ter que lidar com criancinhas mimadas.
mais uma alusão brega: se minha vida fosse o século XVIII você seria a revolução industrial. e seja lá o que você tem feito a que me referi no primeiro parágrafo, por favor, continue a fazer. você colocou minha vida em outro nível que eu achei que eu jamais iria alcançar. sou eternamente grata por tudo que você tem me proporcionado. você já superou, e, por mais insegura que você seja, você sabe disso.
you tha best evah, biatch.
(as três palavras soariam totalmente irrisórias agora, privarei-me de escrevê-las, já que elas estão escritas em cada letra aqui)
quero me casar com você.
BAHHHHHHHRRRRR!
(ela concorda com tudo e apertou o caps sozinha)
você mudou e tem mudado minha vida, você tem me feito crescer (coisa que nem o médico conseguiu) e você tem sido a excessão das excessões. primeiro porque você gosta de mim, segundo porque você gosta de mim e é inteligente, teceiro porque você gosta de mim, é inteligente e bonita. combo 3 ninguém nunca tinha ganhado.
por mais que você ache que não tem nada a acrescentar você tem acrescentado muita coisa para mim. você tem me feito pensar nas coisas em combo e não unitárias, você tem me feito pensar nas minhas escolhas para que as coisas continuem a ser em combos. numa alusão brega, se eu fosse o século vinte, você seria o petróleo. (sem nenhuma piadinha racista inclusa)
quanto mais tempo eu passo com você, mais eu quero passar, e isso é extremamente não-natural nesses campos de tabaco do meus domínios. eu sempre priorizei meu espaço único e intransferível, foi deveras estranho achar alguém que partilhasse o mesmo espaço que eu e não me incomodasse. e quando você está longe, eu até consigo suportar o fato de ter a cama só pra mim, mas não consigo suportar de maneira alguma a ideia de não saber o que está acontecendo com você.
e isso não é ciúme, não é medo que você ache um corpo apetitoso, não é medo que você esteja se divertindo sozinha. é medo de que aconteça algo terrível e mortífero com você - tipo escorregar na faixa de pedestre e ser praticamente decaptada por uma moto (sim, eu pensei nessa possibilidade) -, porque eu consigo suportar a ideia de que você não queira ter mais minha presença, sério, consigo, desde que você esteja bem. e você sabe o bem que eu quero dizer. isso porque você fez com que eu colocasse você antes de mim - o que é absolutamente incomum. isso porque eu consigo compactuar com a ideia de estar novamente do jeito que eu considero normal para minha vida (o qual não é agradável) desde que você esteja bem. isso não quer dizer que eu ficaria de qualquer forma bem se você assim se decidisse por isso, eu ficaria detonada e fodida e muitos outros adjetivos ruins que se possa imaginar e que existam no dicionário, mas isso quereria dizer que valeria à pena desde que você estivesse bem.
você quebrou muitos paradigmas que eu tinha enraizados em mim. você tem feito uma pessoa que é praticamente religiosa com hábitos babacas estar disposta a mudar todos eles para que haja uma convivência mais harmoniosa. e eu não me importo nem um pouco com isso. você tem feito tudo ficar melhor, mesmo as coisas mais escrotas e estúpidas do mundo como ter que lidar com criancinhas mimadas.
mais uma alusão brega: se minha vida fosse o século XVIII você seria a revolução industrial. e seja lá o que você tem feito a que me referi no primeiro parágrafo, por favor, continue a fazer. você colocou minha vida em outro nível que eu achei que eu jamais iria alcançar. sou eternamente grata por tudo que você tem me proporcionado. você já superou, e, por mais insegura que você seja, você sabe disso.
you tha best evah, biatch.
(as três palavras soariam totalmente irrisórias agora, privarei-me de escrevê-las, já que elas estão escritas em cada letra aqui)
quero me casar com você.
BAHHHHHHHRRRRR!
(ela concorda com tudo e apertou o caps sozinha)
coisas:
fatos cotidianos do dia a dia
18.1.11
a graça da vida
aí que é essa a graça da vida, sabe? a falta de ter graça deixa ela um tanto engraçada. você acorda, todos os dias, e acha um jeito de se ocupar. trabalho, escola, projetos, tv, internet, qualquer coisa. agora, por que você faz isso? já parou em algum lugar, ficou em algum canto, só olhando o que as pessoas fazem? como correm, como estão sempre ocupadas. é um jeito legal de se ocupar com a ocupação dos outros.
por que é necessário se ocupar? é para passar o tempo ou só para não pensar? o pensamento elaborado é o que transformou o mundo no que ele é hoje, seja por pessoas se ocuparem em não pensar nas coisas que as deixariam tristes ou por justamente pensar nas coisas que as deixariam tristes, mas a chave de tudo continua sendo ele. pode-se apostar que a maioria das invenções e descobertas veio de algum ser humano tentando fugir de alguma dos pensamentos irritantes sobre a vida.
sério, pense em newton, quando ele resolveu gastar anos da vida dele pensando no motivo que faz coisas caírem, ao invés de simplesmente flutuarem. ele não era só curioso. ele não era só um maníaco turrão. ele provavelmente era depressivo e fujão. os filósofos, esses tem grandes problemas, os caras passaram gerações pensando, em diversas formas com diversas linhas de pensamentos e não conseguiram chegar a conclusão alguma. eles deveriam ser extremamente-muito-mesmo depressivos - mas também não tinha internet nem tv na época.
mas, uma coisa pode ser dita, se você é depressivo e não sabe o motivo, ocupe-se com algo legal e tome alguma coisa para dormir. você não terá mais problemas. pode ser qualquer coisa que te agrade, só faça. você pode ficar rico se for algo lucrativo. e está aí a graça da vida, manter-se ocupado.
por que é necessário se ocupar? é para passar o tempo ou só para não pensar? o pensamento elaborado é o que transformou o mundo no que ele é hoje, seja por pessoas se ocuparem em não pensar nas coisas que as deixariam tristes ou por justamente pensar nas coisas que as deixariam tristes, mas a chave de tudo continua sendo ele. pode-se apostar que a maioria das invenções e descobertas veio de algum ser humano tentando fugir de alguma dos pensamentos irritantes sobre a vida.
sério, pense em newton, quando ele resolveu gastar anos da vida dele pensando no motivo que faz coisas caírem, ao invés de simplesmente flutuarem. ele não era só curioso. ele não era só um maníaco turrão. ele provavelmente era depressivo e fujão. os filósofos, esses tem grandes problemas, os caras passaram gerações pensando, em diversas formas com diversas linhas de pensamentos e não conseguiram chegar a conclusão alguma. eles deveriam ser extremamente-muito-mesmo depressivos - mas também não tinha internet nem tv na época.
mas, uma coisa pode ser dita, se você é depressivo e não sabe o motivo, ocupe-se com algo legal e tome alguma coisa para dormir. você não terá mais problemas. pode ser qualquer coisa que te agrade, só faça. você pode ficar rico se for algo lucrativo. e está aí a graça da vida, manter-se ocupado.
coisas:
insanidades
15.12.10
babaquice
as pessoas gostam do que eu escrevo. por que raios as pessoas gostam do que eu escrevo se eu nem escrevo bem e os assuntos são sempre os mesmos, super repetitivos? talvez as pessoas tenham mau gosto ou só estejam acostumadas a coisas que são totalmente diferentes das coisas que eu escrevo e isso torna as coisas que eu escrevo diferentes, inovadoras e interessantes. o que eu acho uma babaquice, porque as coisas que eu escrevo são bem idiotas. (e esse parágrafo está ridículo mas eu gostei dele porque achei babaca.)
eu deveria estar escrevendo mais. mas eu só tenho inspiração quando eu estou triste, e eu não tenho estado triste de verdade há um tempo. e eu acho que é mentira essa coisa de inspiração por mal-do-século - é coisa muito de romântico babaca que só escrevia livro chato - porque eu acho que inspiração baseada em sentimentos, pelo menos para texto em prosa, algo meio estranho.
o fato é: não tenho escrito porra nenhuma. e por porra nenhuma, leia, porra nenhuma. gosto de culpar a falta de tempo dizendo que eu estou trabalhando demais. e eu nem estou trabalhando tão demais assim, semestre que vem estarei trabalhando demais de verdade; se eu não escorregar, batera a cabeça e morrer no meio tempo. aí eu penso que eu estou sem inspiração porque eu estou feliz e é mais legal viver a vida do que criar histórias xis na minha cabeça num tempo que eu poderia estar vivendo a vida. o que é outra babaquice, visto que tenho meus momentos de ócio que eu poderia aproveitar para escrever. então eu percebo: eu não estou escrevendo porque estou com preguiça.
se eu adotasse resoluções de ano novo, eu provavelmente todo ano prometeria ter mais preguiça. e todo ano não cumpriria e acharia ridículo ter prometido ter menos preguiça. mas eu acho que vou voltar a escrever mais só para provar que eu não tiro inspiração só do mal-do-século.
é. assim o farei.
(puta texto tosco do caralho.)
eu deveria estar escrevendo mais. mas eu só tenho inspiração quando eu estou triste, e eu não tenho estado triste de verdade há um tempo. e eu acho que é mentira essa coisa de inspiração por mal-do-século - é coisa muito de romântico babaca que só escrevia livro chato - porque eu acho que inspiração baseada em sentimentos, pelo menos para texto em prosa, algo meio estranho.
o fato é: não tenho escrito porra nenhuma. e por porra nenhuma, leia, porra nenhuma. gosto de culpar a falta de tempo dizendo que eu estou trabalhando demais. e eu nem estou trabalhando tão demais assim, semestre que vem estarei trabalhando demais de verdade; se eu não escorregar, batera a cabeça e morrer no meio tempo. aí eu penso que eu estou sem inspiração porque eu estou feliz e é mais legal viver a vida do que criar histórias xis na minha cabeça num tempo que eu poderia estar vivendo a vida. o que é outra babaquice, visto que tenho meus momentos de ócio que eu poderia aproveitar para escrever. então eu percebo: eu não estou escrevendo porque estou com preguiça.
se eu adotasse resoluções de ano novo, eu provavelmente todo ano prometeria ter mais preguiça. e todo ano não cumpriria e acharia ridículo ter prometido ter menos preguiça. mas eu acho que vou voltar a escrever mais só para provar que eu não tiro inspiração só do mal-do-século.
é. assim o farei.
(puta texto tosco do caralho.)
coisas:
insanidades
27.10.10
terminal
estou doente. doença daquelas avassaladoras que chegam como um furacão e fodem com tudo pela frente. como eu fiquei doente? não faço a mínima ideia, um dia notei uma dor chata que não ia embora em meu ombro esquerdo. não é nada relacionado ao coração, artérias ou coisa do tipo. era mais um nódulo ou coisa assim. não doía muito, nunca doeu muito, na verdade. então vieram os enjoos. os mal estares. fui levando, precisava ganhar a vida, precisava ajudar aos que me importavam.
aguentei alguns anos, insônia, dores crônicas. médicos? médicos não, eles iam querer descobrir o que havia de errado e eu não tinha tempo. não tinha tempo para consultas, nem para exames, nem para toda a política de tentativa e erro que há em diagnósticos. depois viriam os prognósticos e eles não seriam nem um pouco amigáveis. talvez fossem, se considerasse uma amizade de férias.
como eu sei de tudo isso? porque alguma hora eu precisei ir a um para conseguir alguns remédios para as dores, não aguentava mais tanta dor. então veio a sabatina de exames. raio x. "você tem uma massa dura aí.". ressonância magnética. inconclusivo. tomografia. "acho que precisamos de uma biópsia.". e quando os resultados chegaram, "metástase.". alguns meses nesse processo, tomando os remédios que eu queria. ainda não sei porque não tentei com aspirina primeiro. jovem para um câncer com metástase, bem jovem. pelo menos vivi o suficiente enquanto pude. apesar de que eu ache que eu trabalharia um pouco menos se soubesse que ia ser assim rápido.
o irônico da situação é que nunca tive medo de morrer, ou da morte em si. sempre achei que algum dia aconteceria, mas que estava tão longe e tão fora de perigo que nunca achei que fosse realmente acontecer. sempre supus que morreria em um acidente súbito ou de velhice. me enganei. vai ser de uma doença que mostra que meu corpo é mais fodido que a mente de um louco, porque ele é tão louco que não consegue controlar as próprias células que se replicam.
agora tenho nódulos por todo o corpo, alguns doem, outros não. alguns coçam, outros deixam a pele irritadiça. os últimos são os mais irritantes, porque fica tudo tão sensível que o mais leve toque traz uma dor lacinante. não dá para explicar, só sentindo para saber como é. algumas pessoas olham para mim com pena. acho que é, de certa forma, um alivio para eles. esse tipo de situação sempre nos mostra que estamos vivos e o quanto a vida é imprevisível e que seria melhor se a vivêssemos da melhor forma que conviesse.
quimio. o tratamento é muito chato, tanto tédio enquanto tomo os remédios. e eles só me trazem mais enjoos. a parte boa de ficar doente assim é que as pessoas são sempre legais com você. afinal, é esperado que você morra a qualquer hora, ninguém quer ficar com o peso de ter tratado um pobre moribundo mal nos últimos dias de vida.
se teve algum efeito a quimio? tirando os enjoos aumentados, nenhum. nem o cabelo caiu, acho que fizeram errado. quando eu era criança, sempre imaginei quimioterapia como umas ondas invisíveis que iam atrás só das partes ruim e as matavam, me decepcionei, remédio na veia. pena, acho que uma câmara com ondas seria muito mais bonito para um tratamento.
como a família está levando? pelo que eu percebo ainda estão em negação, todos falando que eu vou ficar bem e isso e aquilo, mas dá para ver a esperança da cura se esvaindo nos olhos deles a cada vez que aparecem por aqui. é, não estou mais em casa, dizer que fiz amizade com os enfermeiros é clichet, então não o direi, tenho fugido de padrões desde que meu cabelo não caiu, virou quase uma missão de vida.
confesso que dá um pouco de medo ter consciência que vou morrer em breve. uma semana, duas. um mês, dois. você começa a pensar, sabe? pelo menos eu penso sem parar no que vai acontecer quando eu morrer. se tem céu ou inferno, se tem algo, se é a ausência de tudo, se todas as coisas que dizem que existem realmente estão lá. vieram alguns padres aqui falar comigo, ver se eu queria um ombro, orientação espiritual ou qualquer coisa assim - deixei eles falarem, vale à pena fazer a vontade dos outros quando você vai morrer, assim eles ficam felizes achando que me deixaram com menos medo. mas ainda assim prefiro descobrir por minha própria experiência o que existe, se é que existe algo, do lado de lá.
não acho que eu vá durar dois dias, vi o guia da tv, não tem nada legal passando e amanhã é reprise de hoje, a internet me entediou de duas semanas para cá. resolvi escrever para passar o tempo, espero que a minha criatividade seja suficiente até eu morrer.
tem muitas flores aqui, já falei para economizarem e mandarem flores só no velório, não me ouvem. o que eu posso fazer? sei que cansei da sabatina de exames, cansei dos médicos com seus olhares piedosos, cansei das pessoas que eu conheço se sentindo na obrigação de estarem aqui.
eu acho que eu vou dispensar a todos para terminnnnnnnnnnnn
aguentei alguns anos, insônia, dores crônicas. médicos? médicos não, eles iam querer descobrir o que havia de errado e eu não tinha tempo. não tinha tempo para consultas, nem para exames, nem para toda a política de tentativa e erro que há em diagnósticos. depois viriam os prognósticos e eles não seriam nem um pouco amigáveis. talvez fossem, se considerasse uma amizade de férias.
como eu sei de tudo isso? porque alguma hora eu precisei ir a um para conseguir alguns remédios para as dores, não aguentava mais tanta dor. então veio a sabatina de exames. raio x. "você tem uma massa dura aí.". ressonância magnética. inconclusivo. tomografia. "acho que precisamos de uma biópsia.". e quando os resultados chegaram, "metástase.". alguns meses nesse processo, tomando os remédios que eu queria. ainda não sei porque não tentei com aspirina primeiro. jovem para um câncer com metástase, bem jovem. pelo menos vivi o suficiente enquanto pude. apesar de que eu ache que eu trabalharia um pouco menos se soubesse que ia ser assim rápido.
o irônico da situação é que nunca tive medo de morrer, ou da morte em si. sempre achei que algum dia aconteceria, mas que estava tão longe e tão fora de perigo que nunca achei que fosse realmente acontecer. sempre supus que morreria em um acidente súbito ou de velhice. me enganei. vai ser de uma doença que mostra que meu corpo é mais fodido que a mente de um louco, porque ele é tão louco que não consegue controlar as próprias células que se replicam.
agora tenho nódulos por todo o corpo, alguns doem, outros não. alguns coçam, outros deixam a pele irritadiça. os últimos são os mais irritantes, porque fica tudo tão sensível que o mais leve toque traz uma dor lacinante. não dá para explicar, só sentindo para saber como é. algumas pessoas olham para mim com pena. acho que é, de certa forma, um alivio para eles. esse tipo de situação sempre nos mostra que estamos vivos e o quanto a vida é imprevisível e que seria melhor se a vivêssemos da melhor forma que conviesse.
quimio. o tratamento é muito chato, tanto tédio enquanto tomo os remédios. e eles só me trazem mais enjoos. a parte boa de ficar doente assim é que as pessoas são sempre legais com você. afinal, é esperado que você morra a qualquer hora, ninguém quer ficar com o peso de ter tratado um pobre moribundo mal nos últimos dias de vida.
se teve algum efeito a quimio? tirando os enjoos aumentados, nenhum. nem o cabelo caiu, acho que fizeram errado. quando eu era criança, sempre imaginei quimioterapia como umas ondas invisíveis que iam atrás só das partes ruim e as matavam, me decepcionei, remédio na veia. pena, acho que uma câmara com ondas seria muito mais bonito para um tratamento.
como a família está levando? pelo que eu percebo ainda estão em negação, todos falando que eu vou ficar bem e isso e aquilo, mas dá para ver a esperança da cura se esvaindo nos olhos deles a cada vez que aparecem por aqui. é, não estou mais em casa, dizer que fiz amizade com os enfermeiros é clichet, então não o direi, tenho fugido de padrões desde que meu cabelo não caiu, virou quase uma missão de vida.
confesso que dá um pouco de medo ter consciência que vou morrer em breve. uma semana, duas. um mês, dois. você começa a pensar, sabe? pelo menos eu penso sem parar no que vai acontecer quando eu morrer. se tem céu ou inferno, se tem algo, se é a ausência de tudo, se todas as coisas que dizem que existem realmente estão lá. vieram alguns padres aqui falar comigo, ver se eu queria um ombro, orientação espiritual ou qualquer coisa assim - deixei eles falarem, vale à pena fazer a vontade dos outros quando você vai morrer, assim eles ficam felizes achando que me deixaram com menos medo. mas ainda assim prefiro descobrir por minha própria experiência o que existe, se é que existe algo, do lado de lá.
não acho que eu vá durar dois dias, vi o guia da tv, não tem nada legal passando e amanhã é reprise de hoje, a internet me entediou de duas semanas para cá. resolvi escrever para passar o tempo, espero que a minha criatividade seja suficiente até eu morrer.
tem muitas flores aqui, já falei para economizarem e mandarem flores só no velório, não me ouvem. o que eu posso fazer? sei que cansei da sabatina de exames, cansei dos médicos com seus olhares piedosos, cansei das pessoas que eu conheço se sentindo na obrigação de estarem aqui.
eu acho que eu vou dispensar a todos para terminnnnnnnnnnnn
coisas:
contos
25.8.10
f5
tá, né, vamos postar alguma coisa.
tô sem saco pra escrever. na verdade, agora também tô sem tempo. entonces, my bad. foi mal aí você que gosta de ler as histórias mal escritas que eu escrevo.
a vida tá boa, só pra sanar sua curiosidade. é justamente por isso que eu não tô escrevendo, tá sendo mais legal viver a vida do que ficar inventando história por aí. daqui a pouco aprendo a conciliar as coisas e fica tudo normal de novo.
além disso tô trabalhando bastante. terças e quintas começo às 14h e termino às 4h. sem contar tempo de correção de lição e tal. o pior é que ainda nem dá pra gritar a plenos pulmões um "sou rica!" retumbante e sonoro. pena. aliás, estou trabalhando agora e vou trabalhar mais um pouco em alguns poucos minutos.
fica aqui o pedido de desculpa ao leitor e digo que voltarei assim que eu aprender a conciliar a vida, o trabalho e a brinks de escrever.
no mais, estou aceitando sugestões para contos. me dê um tema, eu escrevo quando tiver tempo.
tô sem saco pra escrever. na verdade, agora também tô sem tempo. entonces, my bad. foi mal aí você que gosta de ler as histórias mal escritas que eu escrevo.
a vida tá boa, só pra sanar sua curiosidade. é justamente por isso que eu não tô escrevendo, tá sendo mais legal viver a vida do que ficar inventando história por aí. daqui a pouco aprendo a conciliar as coisas e fica tudo normal de novo.
além disso tô trabalhando bastante. terças e quintas começo às 14h e termino às 4h. sem contar tempo de correção de lição e tal. o pior é que ainda nem dá pra gritar a plenos pulmões um "sou rica!" retumbante e sonoro. pena. aliás, estou trabalhando agora e vou trabalhar mais um pouco em alguns poucos minutos.
fica aqui o pedido de desculpa ao leitor e digo que voltarei assim que eu aprender a conciliar a vida, o trabalho e a brinks de escrever.
no mais, estou aceitando sugestões para contos. me dê um tema, eu escrevo quando tiver tempo.
coisas:
F5
Assinar:
Postagens (Atom)
