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21.4.11

visão sobre professores

eu sou inteligente. pelo menos é o que dizem. nunca reparei que era inteligente até começar a ensinar os outros. ou eu sou muito acima da média (o que eu duvido incrivelmente), ou as pessoas as quais eu ensino são absurdamente burras. não todas, lógico, mas uns 80% vai fácil pra lista de gente ts (try spanish).

mesmo quando as pessoas ts não entendem algo eu tendencio a me culpar. eu realmente acredito que quando alguém não consegue aprender parte da culpa vem do mestre. a porcentagem de culpa, obviamente, varia de caso para caso, mas mesmo assim todas as variantes são influenciáveis pelo mestre, que, se fizer seu trabalho direito (vulgo: ter ferramentas, estar motivado e todos aqueles mimimis corporativos que me enchem o saco) culmina na equação de: mestre.(aluno.x²+y) = aprendizado. não importa o que o x ou o y representem, o mestre tem sempre algum tipo de poder sobre as variáveis. menos quando o bonitinho decide que vai morrer, mas aí já é outra história.

uma coisa que nunca consegui entender na minha já-não-tão-curta-assim carreira é professor que não encara o trabalho a sério. quando alguém se propõe a ensinar, na minha humilde e parca opinião, deve estar realmente disposta a tal. é trabalhoso, é cansativo, é irritante às vezes, mas é de extrema importância que seja feito com a atenção e paciência necessária. o fruto do seu trabalho aparece na sua frente antes de aparecer no bolso do seu chefe. e essa é uma das poucas profissões em que isso é possível. antes de pensar se você está puto, antes de pensar se o aluno é uma anta, antes de pensar se seu patrão te explora - não gosta, vai pra cuba. tenta espanhol. -, um professor deve pensar em como fazer aquele grupo ou aquela pessoa entender o que você deve passar. o que complica é que as pessoas adquirem informação por meios diferentes. e cabe ao professor conseguir perceber a necessidade de cada aluno ou grupo e criar uma espécie de elo emocional para que o aprendizado seja mais proveitoso e menos estressante.

por elo emocional eu digo entender a realidade do seu aluno, tentar descobrir traços da personalidade, coisas cotidianas e essa parafernalha toda que um bom observador consegue em vinte minutos de conversa livre. eu realmente acho que um professor nunca deve expor seu lado pessoal aos alunos, o lado pessoal do professor pode ser discrepante com o credo, a opinião e a vontade do aluno. quando isso acontece, dá merda. o aluno não aprende mais, porque ele não gosta de você como pessoa, sem influência nenhuma da sua didática, do método que você utiliza, do seu qi ou da sua capacidade acadêmica. eu minto para meus alunos. eu não exponho minhas opiniões a não ser que a do aluno ou do grupo sejam compatíveis. meu aluno não tem interesse em saber como está a minha vida, meu aluno não tem interesse em saber quem eu sou. meu aluno tem o único interesse em aprender, segundo meu ponto de vista - que vem funcionado.

aí a galera vem falar "mas os alunos não estão interessados!", faz os babacas se interessarem então, oras! tudo bem que a minha realidade como professora é BEM diferente da realidade dos professores de escolas regulares, mas, porra, se o professor é professor de verdade ele consegue fazer com que os mais maloqueiros dumau se interessem pelo assunto. o seu aluno está cagando se você fez faculdade para ir para a carreira acâdemica (que é uma piada) no brasil e acabou virando professor da rede pública. isso é azar seu. isso foi escolha sua, ninguém, além de você, tem que se sentir miserável por causa disso.

pra quem dá aula, qualquer tipo de aula, qualquer tipo de matéria, qualquer tipo de qualquer tipo: para de dar aula e vira mestre. para de dar aulinha e ministre aulas. para de dar aula e vire um professor de verdade.

p.s. eu nunca entendi quem me pergunta "ow, você ainda dá aula de inglês?" e eu lá pergunto "ow, você ainda é advogado?", "ow, você ainda é vendedor?"? caralho, professor não é atendente de telemarketing - ou pelo menos não deveria ser.

p.p.s. eu seria uma coordenadora pedagógica odiada pelo corpo docente, fato.

31.3.11

boate versus boate itinerante

não há muita diferença entre o transporte público paulistano e as casas noturnas, boates, baladas, ou seja lá qual nome que você dá. é lógico que um dos dois sai ganhando, com bebidas, gente interessante se encostando, um suorzinho que libera alguns ferormônios e vira aquela loucura. também tem a música. sentir os graves fazendo seu corpo tremer e dar aquela sensação de prazer que é difícil de conseguir em outros lugares. vejamos, então.

você vai à boate está cheia. cheia como um ônibus às sete da manhã. a música toca alta e você não decide o que vai ouvir, algum dj o faz. assim como nas boates itinerantes que atendem a periferia, desde o advento dos celulares com alto falantes temos alguns djs em cada coletivo dessa cidade, e não, você também não decide o que vai ouvir, é o dj da periferia em ação. no entanto, os graves dos celulares não são potentes para fazer o corpo tremer, mas, em contrapartida, existem os buracos e os trilhos. treme. treme muito. treme mais do que a boate no ápice.

não importa a boate que você frequente, sempre, invariavelmente estará quente. assim como não importam as condições climáticas, nos coletivos sempre, invariavelmente estará quente. mas aí tem as bebidas, sempre um balcão chamativo com umas luzes bonitas e muitas garrafas nas estantes atrás dos bartenders. e a luta colossal para conseguir ser atendido e pedir uma garrafa de água que custa cerca de cinco reais ou uma lata de cerveja por uns seis reais e fora isso o preço só sobe. no coletivo o tiozinho te vende a mesma água por cerca de um e cinquenta e ainda te serve no lugar, com um sorrisão sincero no rosto. não há luta, não há ninguém praticamente implorando para ser servido. tem variedade também, sorvete, cerveja, iogurte, salgadinho, bala, chiclete, chocolate na promoção, três por um real.

convenhamos, os dois lugares sempre estão cheios. sempre tem gente suada se roçando, e também tem os flertes e a azaração marota entre pessoas. além das filas para entrar e o tempo absurdo para conseguir fazê-lo. não pode-se esquecer da entrada, as itinerantes tem preços mais populares a cerca de três reais - e você ainda pode descer e entrar em outra boate vip, sem pagar nada. as fixas oferecem o mínimo a cerca de vinte reais e tem a filosofia do "saiu, se fodeu, paga de novo pra entrar em outra". e depois do advento da lei antifumo em são paulo a pouca diferença diminuiu ainda mais. nos dois lugares você não sai com cheiro de fumaça e os pobres fumantes tem que sair para fumar, tanto em um como no outro. tirando a leve disparidade de que quando entrar em uma boate regular você sairá exatamente no mesmo lugar que entrou, na boate popular você sai em um outro lugar, outro bairro, outro mundo.

no fim: música que você não escolhe, gente se roçando, azaração, suor. ônibus ou boate, tanto faz.

7.4.10

a grande questão fragmentada

onde você procura? em si mesmo? em outra pessoa? no seu trabalho? na sua família? já conseguiu achar? já conseguiu tudo que queria e agora quer mais? quer outras coisas? o que você quer? como você quer? do que você é feito? como são as coisas para você?

seu trabalho é agradável ou é só uma ferramenta para conseguir as outras coisas? seu namoro, casamento, rolo é satisfatório ou serve só para passar o tempo? você realmente pensa que vai achar em outra pessoa? ou será que você mergulha em si mesmo para ver se acha a resposta em algum lugar inexplorado do seu ser? como você reage às situações? para que serve tudo isso? uma cortina de fumaça, talvez? separando você da tão almejada resposta? do grande sentido que ninguém nunca conseguiu explicar? será que tudo foi criado para que não fiquemos loucos tentando achar? deuses, religiões, culturas, absolutamente tudo?

como você se sentiria se tudo fosse uma farsa? se tudo não existisse na realidade? se tudo fosse um grande teatro consumado e intrinsecado na cultura mundial para que tudo ficasse menos difícil? como seria se tudo que você acredita não passasse de alguma fábula contemporânea cheia de facetas e caminhos e transgressões? o que você faria? o que te faz acreditar? o que te faz continuar seguindo por um caminho que você não tem a mínima ideia concreta para onde te leva? e se não te levar à nada? e se nada do que te disseram é ou alguma hora foi verdade? você já se perguntou essas coisas? você já quis saber os motivos cósmicos sobre tudo isso?

o que te faz continuar namorando com alguém? o que te faz querer casar com alguém? o que te faz conviver com alguém? carinho? amor? solidão? a esperança egoísta de achar algo que dê um sentido? que aponte um caminho? se seja seu provedor infinito ao que lhe falta? ou você é só egoísta? você consegue assumir isso? você consegue assumir que, na verdade, você está pouco se fodendo? você consegue perceber que você tenta fazer seu parceiro feliz só para que ele não lhe deixe sozinho sem nada para se amparar? ou você é um daqueles sonhadores épicos que acredita em alma gêmea ou num cavaleiro de histórias de princesas?

o que te faz levantar pelas manhãs? o que te dá forças para sair da cama? você liga o piloto automático e vive um dia após o outro, sem maiores inspirações? ou será que você já está cansado de tudo isso? será que você já desenvolveu nojo por toda a sociedade e pelo jeito que ela te moldou? você entende o motivo do seu emprego? entende o motivo de você achar que precisa dele? será que dinheiro é tão importante assim? já pensou em formas menos corrosivas de conseguir o suficiente para que você viva? já pensou em como um mendigo pode ser mais feliz que você? já pensou que talvez a simplicidade da vida dele seja a chave para tudo que ele sempre sonhou? ou você é um daqueles que os julga sem ao menos notar sua própria insignificância? você se colocaria no lugar de algum deles?

você está vivo só por estar ou você tem um objetivo maior? você quer fazer diferença? que tipo de diferença você quer fazer? seu ego é grande a esse ponto? ou você só quer fazer da sua vida algo insosso e simplório que não lhe dê muito trabalho? você acha que tem que fazer alguma diferença para alguém? você acha que você deve ser melhor e maior e mais preparado do que os outros? você acha que você é ou pode ser tudo que você sempre quis? você tem um sonho? você pretende realizar seu sonho? ou você só o vê como coisa utópica inalcansável? você acha que sonhar é para poucos? você tenta realizar seu sonho?

você busca algum tipo de individualidade? você tenta ser você mesmo e não o que os outros desejam que você seja? você já desenvolveu alguma espécie de pensamento crítico? se sim, tem bases sólidas em algo filosófico? ou será que a base é experiencial? será que a base é sólida assim? já pensou que talvez uma simples brisa pode fazer ruir todo o seu ponto de vista? o que seria de você sem ele? o que seria de você sem as coisas que você acha que você deve ter?

o que seria de você sem amor? o que seria de você sem o mínimo dinheiro necessário para que você mantivesse suas assim chamadas regalias da vida moderna? o que seria de você sem sua comida superfaturada? o que seria de você sem o seu controle remoto? sem a sua diversão? sem o seu entretenimento? o que seria de você sem suas obrigações? necessidades? o que seria do mundo se não fôssemos sociáveis? o que seria de tudo se todo ser humano presente neste momento no planeta começasse a se perguntar essas coisas? haveria revolução? haveria qualquer tipo de comoção social? haveria passeatas ou coisas similares? que parte você teria nisso?

o que seria de você se colocasse um ponto final nessa vida virtual que você chama de própria? o que seria de você se você abrisse os olhos e encarasse a realidade sem maquiagem alguma? você se deprimiria? você se sentiria liberto? você pararia de tentar? você tentaria alguma coisa? você usaria alguma máscara e continuaria seguindo as regras? você seria o que você quisesse? ou será que seria o que gostariam que você fosse?

o que te faz continuar vivendo, um dia após o outro, na mesma realidade que você sempre teve?

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4.11.09

cigarro e manipulação das massas

eu fumo. fumo mesmo, adoro um cigarro. aliás, um só não, dois, três, vinte, quarenta, oitenta, todos os possíveis. as pessoas me associam a imagem do cigarro de forma ferrenha. os conhecidos perguntam para mim que tipo de cigarro é o que, qual cigarro é mais parecido com qual, qual a diferença de um para outro... já ensinei muita gente a fumar, e não me venha com aquele discurso politicamente correto, a pessoa já estava com um cigarro na boca, ensinei a usá-lo da maneira apropriada e a qual o lindo bastão nicotínico merecia: a tragar, os diferentes tipos de tragada, como segurar, como se portar com um cigarro na mão e assim por diante.

não, esse não é mais um texto sobre o digníssimo governador de são paulo com sua lei infame e anticonstitucional, caguei pra ele e pra proibição dele. é mais sobre o resto da população que mais parece com um rebanho de cordeirinhos que falam "mas você não vai parar de fumar?", "isso vai te matar!" e outros jargões que cansam. cada um tem seu vício, sua válvula de escape, o que seja... o meu é o cigarro, e não, não vou parar de fumar. pelo menos não tão cedo. não que eu jamais pense na possibilidade, nunca digo nunca, não sei o dia de amanhã. mas, quando eu coloco na balança, ainda há mais aspectos positivos do que negativos.

eu fumo porque eu gosto. aí virão anti-tabagistas chatos falar "isso é papo de viciado." e eu mando enfiar um aceso bem no meio do rabo. não é só por vício, eu consigo ficar um tempo absurdo sem fumar quando me convém, sem a menor vontade de fumar. o ônus da questão é que essas situações não se repetem com muita regularidade na minha vida. apesar disso não excluo a possibilidade de vício nicotínico.

eu fumo porque é meu tempo sozinha, sem ninguém pra me atazanar. é o meu prazer único e intransferível que eu posso fazer em público e que não preciso da ajuda de ninguém. já tive epifanias tremendas nesse tempo, já achei soluções para problemas incríveis, já achei resoluções de vida e algumas coisas a mais. o cigarro é amigo. a fumaça é bonita, fumar é sexy (não em mim), é bonito. e nem se pode dizer que fui vítima da inquisição da moral e bons costumes, quando eu era criança a ponto de entender as propagandas elas foram abolidas da tv, e devo dizer, nunca vi muito senso no cowboy do marlboro, nem nas ondas do hollywood e nem lembro da propaganda do free. acho bonito porque acho, do mesmo jeito que acho bonito uma mulher com camisetão desbotado, cabelo desgrenhado e descalça.

falando em propaganda, tempos atrás fui a uma exibição (que tentava ser anti-tabagista) sobre propaganda de cigarros nos primórdios da publicidade. as propagandas ostentavam jargões engraçadíssimos como "em vez de pegar um doce, pegue um luckie", "camel, o cigarro que os médicos preferem", "luckies não irritam sua garganta. é tostado!" e uma peça hilária de marlboro com fotos de bebês. nunca entendi publicitários (meus amigos publicitários que me perdoem, mas para mim essa é uma ciência que só vocês entendem). hoje, a propaganda está reversa. usam opiniões de médicos conceituados na mídia para embasar teorias não comprovadas cientificamente, adestrar a maior parte da população mundial criando medo inexistente. ninguém divulga que não é comprovado que o cigarro cause câncer, que a fumaça que sai do cigarro não é prejudicial (segundo pesquisa da OMS) e mais um monte de balbúrdias que eu tenho muita preguiça de elencar agora.

o mérito desse último parágrafo é observar o contraste de publicidade sobre meus grandes amigos. de mocinho a vilão em cerca de cinquenta anos. li em algum lugar tempos atrás que essa perseguição ao cigarro, tornando os fumantes praticamente criminosos, é um tipo de novo método de manipulação de massas, praticamente ditatorial. oras, você se pergunta, como é ditatorial se eles não me forçam a nada? muito bem perguntado, meu caro leitor, vamos lembrar da sua infância, sim? melhor, vamos tomar um cachorro sendo educado como exemplo: quando o cachorro faz algo errado, ele é punido. quando ele faz algo certo (lembre-se: certo é o que você quer que ele faça) ele é congratulado e ganha um prêmio. os governos mundiais estão fazendo exatamente a mesma coisa com as pessoas incluindo, provavelmente, você. resolveram que fumar era algo do mau, que só pessoas más o faziam. começaram a plantar essa idéia aos poucos na cabecinha de cada uma das pessoas. cachorros são maus quando fazem xixi dentro de casa. pessoas são más quando fumam. mas você não quer ser mau, você quer ser bonzinho. quem quer ser mal? o mal sempre perde no fim! você passa olhar para os cigarros com outros olhos. você quer ser bom, mas para ser bom, você precisa detestar, odiar, desrespeitar tudo o que dizem que é mau. o cigarro é mau, você deve repudiá-lo com todas as suas forças. fazendo isso, acatando à visão que querem que você acate, você vira uma boa pessoa. o bom cidadão. e eu digo: você é um cordeirinho sendo levado para onde querem levá-lo. o cachorro também começa, cedo ou tarde, a achar que fazer xixi dentro de casa é coisa de cachorros maus.

cigarro causa câncer. viver causa câncer. cigarro mata. todos os não fumantes também vão morrer. se você fumar você vai virar um bebê de compota. se você fumar você vai acabar com toda sua família, todos irão sofrer por causa do cigarro. se você fumar você vai broxar. se você fumar... tudo balela. é só pesquisar um pouco que você descobre tudinho sobre essas coisas.

eu fumo, fumo mesmo, e gosto, gosto pra caramba. continuo nadando contra a maré, continuo não abdicando de fazer o que eu quiser com a minha vida, continuo fazendo dela o que eu quero fazer. enquanto for uma droga legalizada fumarei. quando não for mais, me mudarei para algum lugar que ainda seja, e assim até o fim dos meus dias, ou até o balanço do ruim superar o bom. que fique claro: o meu balanço do bom e do ruim, não o do governo, não o seu, não o da minha família e assim por diante. não aceito pitacos dos outros sobre como eu devo viver minha vida.

18.8.09

sabedoria popular

agraciado é aquele que depende do transporte público rodoviário paulistano! não, o transporte não é de extrema qualidade. não, a tarifa cobrada não condiz ao serviço oferecido. não, não tem conforto nem espaço suficiente. mas mesmo assim, agraciado é aquele que pode desfrutar de uma das mais intensas experiências que ocorrem em mega cidades. explicar-se-á o motivo de tanta graça para com os cidadãos paulistanos: quem não pega ônibus não passa pelas intensas experiências de medo, estresse, afobação, suspense, calor humano, paciência... e a lista se alonga infinitamente (com o perdão da hipérbole).

as pessoas que andam de carro não vivem o drama de saber se o último ônibus já saiu. é algo estonteante e digno de felicidade tremenda chegar ao ponto final e ver que ainda tem mais um ônibus para levar-lhe para o aconchego de seu tão querido lar. essa situação geralmente ocorre durante o começo das madrugadas, visto que os últimos ônibus partem entre 23:00 e duas da manhã. mas, se é sabido o horário do último ônibus, como ter expectativa de que ainda exista algum ativo para levá-lo? oras, lembre-se que falamos de são paulo, caro leitor, e nesta cidade nada é extamente como dizem que é. você pode chegar ao ponto e o ônibus já ter saído, isso mesmo, antes do horário. inconcebível? para quem mora nos grandes centros europeus talvez, aqui até achamos organizado e damos graças a deus pelo pouco de organização que se tem. e quando o último ônibus já saiu, como proceder? segundo um sábio dos transportes urbanos, se você está ferrado, pegue qualquer ônibus que possa deixá-lo o mais próximo possível de seu destino e cubra o resto do caminho à pé, às vezes pode-se até dar sorte de pegar outro ônibus no meio do caminho que lhe deixe mais perto de casa. perigoso? o que é da vida sem um pouco de perigo para sentir o sabor mais acentuado de estar vivo? encare o perigo como uma folha de louro no seu feijão, é até gostosinho sem, mas se colocam tudo fica mais saboroso.

se conseguir pegar o último ônibus o cidadão paulistano enfrenta o medo. mas medo por que, se ele já está dentro do coletivo? é devidamente lembrado que o último ônibus sai durante as primeiras horas da madrugada e nessas horas, nas grandes cidades, ninguém é de ninguém, ou melhor, nada é de ninguém, o seu celular, que é seu e você comprou com o seu suado dinheiro, pode não vir a ser mais seu antes que você tenha tido a chance de pedir ao amigo ladrão para dar-lhe o chip, o seu tocador de mídia pode não ser mais seu em questão de segundos e só perceber quando ouvir o barulho um tanto ensurdecedor do motor desregulado do veículo que lhe leva e trás todos os dias. expectativa, medo e drama, todos juntos. quando um homem entra no ônibus, passa por baixo da catraca e está de touca e boné, desista, você perdeu tudo, até os tênis. você jamais experienciaria tal tipo de situação sentado num cinema assistindo a um filme de suspense, imagine sentado no conforto do seu carro, com o ar condicionado ligado, as janelas fechadas e tocando no rádio sua música favorita. é melhor pegar ônibus, mais emocionante é, com certeza.

depois de passar por tais provações no começo da madrugada, quando nada de errado acontece e o contribuinte chega em casa aliviado e se sente agraciado por tanta sorte, é chegada a hora de dormir um pouco para enfrentar mais um dia de trabalho que começa na manhã seguinte. e lá vai o paulistano atravessar a cidade para chegar em seu local de trabalho - e é aqui que entra o calor humano. com os ônibus cheios de gente, é hora de provar que se sabe contorcionismo e tem a astúcia e o equilíbrio suficientes para não cair em cima de ninguém - uma vez que sair rolando corredor afora é algo inimaginável até mesmo para uma barata que está descansado ao alvorecer em seu ninho embaixo da última fileira de bancos. esse calor humano é algo que dá gosto de se ver, todos juntinhos, apertadinhos, se roçando freneticamente... tome cuidado com namoradas e namorados ciumentos, tanto calor humano junto pode ser considerado caso grave de adultério devido à quantidade de corpos amontoados se encostando. quando o tempo de calor humano é esgotado - com a duração mínima de meia hora - é hora de descer na sua parada, respirar o ar puro do centro da cidade e olhar para o relógio contente porque não está atrasado. é válido dizer que a mesma coisa acontece no fim do expediente, a única diferença é descer do ônibus contente porque vai conseguir assistir à novela naquele dia.

quem não anda de ônibus não pode perceber o gosto musical das pessoas, o coletivo vira praticamente uma discoteca com várias pistas de dança tamanho é o número de celulares tocando, no mais alto volume que o aparelho puder suportar, os mais variados tipos de música, mais variados com ressalvas, visto que ninguém jamais presenciou bach ou chopin tocando ao lado de funk. mas as combinações de funk, pagode, sertanejo, forró e todas essas vertentes populares estão com todas as forças disputando espaço com o barulho do motor e os outros sons que vem da rua. agora junte todos esses estilos musicais tocando simultaneamente, o calor humano, o perfume de fragrância praticamente animal que as pessoas exalam por seus poros e o calor proveniente do dia inteiro e você tem o estresse. quando chega a esse patamar é só alguém encostar um pedaço de corpo em outro pedaço de corpo não tão ortodoxo para começar um bate boca e, eventualmente, uma briga de verdade. e aí tem-se o show e entretenimento suficientes para chegar em casa de bom humor.

ah, o transporte metropolitano de são paulo! é tão bem equipado e condizente ao número de usuários que só uma coisa pode ser dita:

haja paciência!

17.7.09

ode à espécie

existe uma espécie de ser vivo que me causa espanto, repulsa e admiração ao mesmo tempo. se acham os donos de toda e qualquer razão existente e toda e qualquer coisa existente. sentem-se superiores, ah, como se sentem! são podres, todos eles, sem nenhuma excessão. mas mesmo com todos esses defeitos são capazes de fazer cada coisa incrível que deixaria o mais superior ser existente impressionado. não deve ser novidade para o caríssimo leitor o ser que está sendo exposto, o ser humano. tiop o cêrumãno galerë1

pessoas, seres humanos, homo sapiens sapiens (insira aqui qualquer piada com temática gay)... todos nomes para você, sua mãe, seu pai, para essa que te escreve e, até mesmo - acredite -, para o torcedor fanático do time de futebol rival ao seu. nós, pessoas, nos julgamos superiores a tudo e todos (exceto, talvez, o deus que foi criado por nós, aquele que ainda dizem que fomos criados à sua imagem e perfeição, mas não entremos em questões teológicas, sim?). a crença de superioridade exala pelos poros de cada humano que esteja vivo de tão exacerbada que é, mas há de se dizer que essa crença não é tão infundada assim: como darwin diria, os mais fortes sobrevivem e os mais fracos sucumbem ou são subjulgados. pois bem, nossos ancestrais neandertais começaram o trabalho de dominação das outras espécies vivas para que nós pudéssemos exibir livremente nosso ar de superioridade sem medo de qualquer represália - e assim o fazemos.

nos achamos superiores mas somos mais podres que alguns dos ditos inferiores, mas como essa temática para escrita já foi debatida, escrita, falada por tantas vezes e por tantas pessoas diferentes, não será adotada mais uma vez nesse amontoado de linhas. não, falemos sobre a grandiosidade! a virtuosidade! a beleza!

ao dado momento da evolução humana, século XXI, depois de alguns milênios de sociedade pode até ser dito que estamos um tanto evoluídos mesmo, apesar de não parecer. como já mencionado a espécie homo sapiens sapiens é intrinsecamente podre, então não há como se esperar que a evolução atinja a todos homogeneamente. opondo-se a este fato, as pessoas estão cada vez mais lindas, cuidadosas umas com as outras, íntegras, gentis e mais algumas qualidades. a cada dia que passa noto mais beleza nas gerações mais jovens, mais pessoas se importando umas com as outras. a virtuosidade por esses dias está aumentando gradativamente, o que pode ser levado a considerar que a tendência é melhorar cada vez mais, já que a virtude é uma das mais belas características maniqueístas humanas. somos belos, admitamos.

sim, somos belos, somos grandes e somos especiais. não encontro palavras para expressar tamanha beleza que as pessoas podem conter dentro de si. somos capazes de adorar um semelhante a ponto de nos expormos aos nossos maiores medos para que possamos fazê-lo feliz. somos capazes de fazer com que a necessidade de um semelhante seja maior que a nossa própria e maior que nosso egoísmo para que possamos ajudá-lo de forma eficaz. somos até capazes de fazer o que é julgado impossível por adorar um semelhante ou a nós mesmos. pode ser ousado o que está escrito aqui, mas somos o veículo de algo superior e belo, como se fôssemos uma catapulta para elevar algo a um nível superior.

ah, pessoas! como há beleza em vocês! querido leitor, abra seus olhos para as coisas bonitas que você faz, não há necessidade de ser algo grande nem tampouco digno de adoração: o simples ato de pagar um lanche para um amigo ou agradar alguém quando você poderia estar se beneficiando de qualquer outra coisa que pudesse lhe dar mais prazer já são atos lindos que só nós conseguiríamos fazer, sem demérito qualquer. salvar o mundo, erradicar a fome, fazer milagres são coisas tão virtuosos que poucos tem o privilégio de fazê-las, então trabalhemos com as ferramentas que nos foram dadas. todos nós temos essas ferramentas, as usemos de forma apropriada. por menor que o efeito possa parecer ser para você pessoalmente, ponha-nas em uso, o efeito será sempre bom e válido. demonstre afeto perante aos outros, faça coisas para que as outras pessoas se sintam bem e você estará colocando toda beleza e virtuosidade que você tem dentro de você no mundo, fazendo assim, que ele seja um lugar cada vez melhor e agradável de se estar.

agora, caro leitor, se você está descrente quanto aos parágrafos acima, se você acha que não há salvação - ou qualquer dos bordões aplicados nessas situações - e acha que essa que lhe escreve é mais uma humanista sonhadora, sugiro-lhe e encorajo-lhe calorosamente que repense seu círculo de convívio ou que comece a acender a centelha que cada um de nós tem dentro de si por meio de atos concretos. mas não por meio de palavras, se o fizer com palavras e não ações só vai parecer mais um daqueles demagogos que muito falam e nada fazem. se não acreditar no que está escrito aqui, apenas tente, pelo menos uma única vez, seja grande, seja belo, demonstre a beleza que existe em você, mostre sua grandeza para o mundo! alguns garantem que não dói nem um pouco e que dá imenso prazer em fazê-lo.
oi, tô motivacional hoje. beijos.

1.7.09

a relação entre escrever e cagar

escrever é como vomitar ou fazer cocô, algo bem orgânico mesmo. quanto mais você tenta, mais aflição dá e menos sai. aí você se estressa e começa a ficar puto porque você não conseguiu escrever e você está precisando escrever. e você tenta de todas as formas, deita na cama, senta, fica em pé, liga música, desliga a música, liga a tv, desliga a tv, vai até a cozinha ver se acha inspiração no armário das porcarias ou na geladeira, volta para o lugar de escrever tão abastecido quanto alguém num abrigo anti-radiação no seu primeiro dia de utilização, senta, coloca as mãos para trabalhar e... nada.

quando consegue um parágrafo aceitável, pára no meio da escrita para não cagar uma idéia que pode originar algo bom. aí vem a culpa por não estar conseguindo produzir da forma que gostaria de estar fazendo, logo depois da culpa vem o desespero. o desespero é a forma mais sacana de se sentir quando não consegue escrever algo. o escritor começa a pensar que perdeu o jeito da escrita, se cobra pela quantidade de tempo que está sem escrever nada decente, começa um monte de coisas e não termina nenhuma porque acha que está tudo muito ruim (o que realmente está). vira uma necessidade praticamente física escrever algo digno de ser lido por alguém que não seja sua própria mãe, só para que consiga provar pra si mesmo que ainda é capaz. é desesperador.

depois do desespero vem a raiva. dá uma vontade cabulosa de quebrar o monitor, o teclado, rasgar o papel, quebrar a caneta em pedacinhos... mas um escritor não faz isso, um escritor zela pelo seu instrumento de contato intelectual com o mundo, quebra tudo em volta, menos a caneta e o papel (ou o monitor e o teclado.)

tem também os momentos de nada. você se distrai com um coceira no joelho e esquece sobre o que estava escrevendo, qual era sua intenção com a frase não terminada e fica puto lendo e relendo tudo que já escreveu só pra ver se consegue voltar à mesma linha de pensamento. e não, não consegue. porque quando se precisa escrever e as idéias não vem é exatamente como ter muita vontade de cagar e não conseguir. é aniquilador. daí você não consegue mais ficar sentado na privada, ou tem algum compromisso e tem que deixar pra depois. passa o dia inteiro com uma vontade imensa de cagar. isso aplicado à necessidade de escrever e não conseguir é um pouco mais sutil, mas o efeito de alguns dias tentando dá exatamente a mesma sensação. deseperador.

aí, quando o escritor vê que não vai sair nada mesmo, ele tenta deixar de lado, sabe aquela coisa de "se eu não penso sobre algo, essa coisa automaticamente deixa de existir"? é, funciona por alguns dias, mas não passam de dois ou três. aí você começa a reparar o quanto você produzia bem no passado e começa a reler o monte de coisas legais que já escreveu. auto-tortura. também é uma fase para se tentar superar a falta de inspiração, trava, hiato ou seja lá o nome que se dá pra isso.

o problema é que quanto mais se cobra, menos inspiração vem. aí você se fode redondamente. o jeito que eu achei pra superar isso descobri na quinta série e está sendo aplicado à esse amontoado de linhas neste exato momento. como fui bem-sucedida na primeira vez, estou apelando de novo. sim, apelando mesmo, porque eu estou realmente MUITO incomodada com o fato de eu ter uma crônica e dois contos meio começados e não estar conseguindo escrever nada decente.

fui bem-sucedida quando estava na quinta série tinha um professor de português chamado geraldo. ele era um professor dos mais rígidos e incríveis que eu já tive, me lembro claramente de aprender a palavra "contemplar" e toda a imensidão que ela trás por ele, lembro também de vê-lo num monólogo sobre suicídio e a opinião dele sobre tal fato, depois de uma semana o vi na missa de igreja católica que fui obrigada a ir pela minha família - porque era missa de sétimo dia da morte de uma tia minha que não fez diferença alguma na minha vida e que passei a achar muito chata depois de ser forçada a ir na missa da morte dela (já não bastava morrer no dia do meu aniversário e estragar a festa, ainda fui obrigada a ir à igreja, lugar este que me sinto realmente mal) - e a opinião dele sobre suicídio foi lindamente ofuscada pela crença dele na igreja católica. geraldo, uma vez, mandou que escrevêssemos uma redação com tema livre, como ele era rígido, não poderia entregar a tal redação depois da data estipulada. travei, sempre odiei tema livre. escrevi minha redação sobre como era difícil escrever com tema livre porque a palavra livre aplicada juntamente com a palavra tema dava inúmeras opções de escolha e isso acarretava em deixar algum tema bom de fora e todas essas coisas que alguém escreve quando trava. ele gostou da redação, pediu que eu lêsse para os coleguinhas e tirei a nota máxima. eu saí por cima de uma situação que me deu tanto desespero quanto a que estou agora. estou apelando mesmo, porque para eu lembrar de uma situação da minha infância/pré-adolescência como meio de superar algum problema de agora é realmente apelativo e sinal de desespero (visto que minha memória é algo praticamente inexistente).

só espero que me saia tão bem dessa vez quanto me saí quando tinha dez anos.

23.3.09

sobre meus contos:

não costumo colocar finais felizes para as personagens que crio, não sei dar final feliz para alguém. finais felizes não fazem parte da vida humana escrever algum final feliz é negar que a situação possa ter acontecido. tudo bem que é ficção, mas vá lá... todo mundo feliz no final é coisa de novela.

finais felizes são entediantes. todo mundo gosta de ver/ler/assistir finais felizes porque dá uma pontinha de esperança que eles possam vir a acontecer com quem vê. eles não acontecem, são totalmente fictícios. como assim só o vilão se ferra? não dá. todo mundo, sem excessão alguma, se ferra alguma vez na vida. eu relato esse tipo de situação.

minhas personagens de contos não têm finais felizes. estou guardando o final feliz para o livro, eu não quero fazer obra de arte, quero ganhar dinheiro.
portanto, gastarei toda minha capacidade de deixar personagens felizes na hora de ganhar dinheiro. então, querido leitor, desculpe-me pela minha incapacidade solene de prover uma pontadinha de esperança na sua vida.

17.2.09

argh!

peguei nojinho. tentarei definir nojinho. nojinho é uma certa aversão a alguma pessoa ou situação, vários fatores podem deflagar o nojinho, sendo assim muito difícil de defini-los. mas entenda a diferença de nojinho para outros sentimentos não-sociáveis característicos do ser humano: nojinho incomoda, tem algo em alguém ou alguma situação que lhe incomoda. é chato, irracional e, as vezes, você pega nojinho de alguém de seu convívio próximo. mas nojinho não tem muito a ver com nojo em sí, nojinho é mais como asco misturado com falta de saco misturado com considerar algo despresível.

o que fazer quando se pega nojinho de alguma pessoa? o que me faz pegar nojinho de alguém? não sei, só sei que quando pego, eu utilizo de todas as minhas habilidades para dar perdidos. uma das maiores desculpas que eu utilizo é falar que vou trabalhar. bem, eu trabalho um por um tempo considerável, então, algumas vezes, nem é mentira. o problema é quando você costumava dar em cima de alguém, no meio tempo conheceu melhor a pessoa e pegou nojinho. aí é complicado. como proceder em uma situação como essa?

o fato é que quando você pega nojinho de alguém ou alguma coisa, você se considera absurdamente superior ao objeto do seu nojinho. e pra maioria das pessoas do mundo, se considerar superior a alguém é uma grande coisa - pra mim não -, então, algumas pessoas usam o nojinho para se auto afirmarem.

um dos maiores problemas desse tão nobre sentimento é que ele geralmente é irreversível. não é comum alguém ter nojinho de alguma coisa e depois deixar de ter. é uma mínima repulsa eterna perante algo. e o que fazer quando se pega nojinho de alguém, já que não vai passar?

o jeito é dar um jeito de tirar o objeto do nojinho da sua vida. o problema é que quando você pega nojinho, você não tem paciência suficiente para ir fazendo isso aos poucos, então, geralmente, passa-se a evitar a pessoa o máximo possível. essa prática não é das melhores, porque isso denota o nojinho de forma tão absurda que se a outra parte do nojinho souber o que é nojinho ela vai perceber o nojinho perante ela. e nunca é legal revelar para o objeto do seu nojinho que você tem nojinho dele. esse sentimento é mais ofensivo que xingar a mãe, comer o pai e xingar de bobão. então eu ainda não desenvolvi uma técnica boa para tirar os nojinhos da minha vida sem que eles percebam.

se souber de um jeito, me avisa, to precisando.

27.1.09

fim

tudo termina. absolutamente tudo. comida, ar, água, inteligência, relacionamentos, vida, cigarros, bebidas... tudo. e o fim é mais importante que o começo, para todas as coisas.

o fim significa o término de determinada ação ou período e o começo de outro. você já se indagou do que seria da vida se ela não tivesse fim? já parou pra pensar como o mundo seria se nada terminasse? ninguém valorizaria nada, o fim dá valor às coisas. você só dá valor à vida porque sabe que um dia ela vai acabar, se não, você faria realmente tudo que você quer fazer sem maiores problemas, afinal, não terminaria de forma alguma mesmo. e aquela sua música preferida? aquela mesmo que você já desejou que ela nunca terminasse. se ela não terminasse nunca você a odiaria. fins são necessários.

e aquelas situações em que o fim não está explicito ou que não se sabe se o fim chegou? você se sente à vontade? você consegue viver sem saber se terminou ou não? é mais fácil quando termina. mais fácil para seguir em frente, mais fácil para conseguir outra coisa, mais fácil para tudo.

há de se concordar que existem fins e fins. fins que são bons, fins que são ruins, fins que não tem relevância alguma... fins ruins são irritantes e problemáticos. mas se alguma situação o levou para um fim ruim, isso quer dizer que ou você gostava muito do que acabou ou era algo que lhe ferrou de tal forma que você ficou ainda mais ferrado. mesmo nessas situações o fim é bem vindo, para pelo menos uma das partes envolvidas.

o fim é a única coisa certa da vida. não só o fim da vida, mas o fim como um todo. absolutamente tudo que você começar, um dia vai terminar. seja por vontade sua, vontade dos outros ou vontade da sua vida terminar por si própria.

o fim geralmente é mal compreendido, tido como algo ruim. mas quase ninguém realmente presta atenção na sua necessidade. imagina todas as coisas do mundo sem um fim? não haveria como viver assim. se o fim é algo tão presente na vida, por que ainda há problemas com ele? já foi provado que ele é absolutamente necessário, qual o problema em se lidar com ele?

qual o problema em se lidar com uma vida que acaba? qual o problema em se lidar com uma situação que se acaba e outra começa? quando se aprende a lidar com o fim a vida fica mais fácil. é necessário para que se consiga viver de forma mais confortável.

o fim é seu amigo, não o repudie.

24.1.09

minúsculas

comumente sou indagada pela ausência de letras maiúsculas nos meus textos, crônicas, contos, divagações... não as uso, simplesmente. não tenho nada contra as maiúsculas, acho que elas têm necessidade de existirem, mas não como todos usam. 

quando alfabetizanda, a tia regina me falou que as maiúsculas serviam para nomes próprios e começo de períodos. muito bem, pensei eu, letras para diferenciar nomes estranhos de palavras normais. quando aprendiz eterna de inglês fui ensinada que além de nomes próprios letras maiúsculas viriam em todos os dias da semana, meses, viria também na palavra "eu" e em nacionalidades e línguas. achei idiota. quando instrutora de inglês ensinei que letras maiúsculas deveriam ser empregadas nos casos descritos acima. e continuei achando idiota. quando indagada por meus pupilos pela necessidade do emprego da maiúscula expliquei que era por frescura dos ingleses. povo fresco. 

em todos esses casos eu considero as maiúsculas dispensáveis. não me importo com quem as usa, mas eu não o faria o. uma porque eu teria que usar mais dedos ao escrever pela necessidade de apertar o shift para fazer uma letra maiúscula. e pra quem digita muito como eu e tem problemas de tendinite, quanto menos esforço melhor. pronto. aboli as maiúsculas dos programas de troca de mensagens, isso na época do icq ainda. daí para ser abolida nos e-mails foi um pulo. quando blogs deram um boom no brasil, lá para o fim de 2002 começo de 2003, eu já não usava maiúsculas. 

não gosto de ter que apertar o shift toda hora, e sou uma pessoa que escreve muitos períodos, muitas vezes prefiro um ponto final à uma vírgula. por isso que a única ocasião que eu uso letras maiúsculas no começo de palavras é quando tenho a necessidade irrefutável de ser formal (o que geralmente tento evitar). 

apesar de não ser uma fã enorme dessas vertentes das letras minúsculas, acho importante que elas existam. utilizo maiúsculas com certa frequência para aumentar a intensidade de alguma palavra, para demonstrar irritação, surpresa e afins quando é necessário que me expresse por meio de palavras escritas. nessa parte as maiúsculas são BEM importantes. 

ao escrever essa crônica me indaguei se quando o livro que escreverei estiver por vir o publicarei com maiúsculas ou minúsculas. não me decidi ainda. existe um grande preconceito à falta de letras capitais, quando estiver para ser publicado me preocuparei com isso. 

no mais, vamos abolir as maiúsculas do começo de períodos e de nomes próprios e de siglas e de dias da semana e de meses e da palavra eu e de nacionalidades e de línguas. 

é mais legal escrever só com minúsculas.