me privei de música por hoje. estou em vias de fazer a maior bosta da minha vida, ou finalmente consertá-la. finja que não leu.
como assim dá para sentir falta de algo que nunca existiu além da imaginação? como dá para sentir angústia de lembrar do que você não teve? como dá para se sentir mal por ter sido tirado do seu mundinho imaginário perfeito? como dá para preferir o seu mundinho à realidade? como dá para olhar para o que você não teve e desejar ter tudo de novo? como dá para querer ter tudo de novo, mesmo sabendo que nunca foi real? como dá para querer continuar tentando? como dá olhar para aqueles olhos e imaginar o que eles se tornariam? como dá para mudar o sentimento de conforto para mágoa, sofrimento e auto-tortura? como dá para prometer que nunca mais vai fazer de novo? como dá para fazer de novo logo depois de prometer que não o faria? como dá para destruir tudo? como dá para parar de acreditar nas coisas que você acreditava de um segundo para o outro e, depois de dois segundos, acreditar em tudo de novo? como dá para insistir em tudo isso sabendo que não vai adiantar de coisa alguma? como dá para ter orgulho de tudo o que aconteceu, quando você só se fodeu e isso não é mérito para você? como dá para falar que não faria nada diferente, quando, na verdade, você queria continuar o mesmo de anos atrás, antes da bosta começar? como dá para não querer que tudo tenha acontecido, se tudo se compilou de uma forma tamanha e ardilosa para que assim o fosse? como dá para sofrer muito mais do que não sofrer? como dá para se acostumar com o sofrimento e realmente gostar dele? como dá para gostar de algo que te faz mal? como dá para tentar resolver tudo tentando voltar a quando tudo começou? como dá para acreditar que isso possa ajudar em alguma coisa? como dá para continuar vivendo desse jeito? como dá para desejar morrer com todo afinco que lhe resta? como dá para não morrer com tanta vontade assim? como dá para querer continuar? como dá para não parar de tentar? como dá para não ter fome por meses? como dá para se aproveitar dessa situação pseudo-anoréxica para emagrecer tudo que você sempre quis emagrecer? como dá para ficar orgulhosa de se olhar ao espelho sabendo o motivo de você ter recuperado várias roupas virtualmente perdidas porque você jamais emagreceria para entrar nelas? como dá para fumar frenticamente e compulsivamente para tentar desenvolver um câncer mortal? como dá para acreditar que você teria morrido no mês passado? como dá para continuar acreditando que um dia vá dar certo? como dá para ter esperança quando todos os estímulos são negativos e sacanas? como dá para não se entregar desse jeito? como dá para não ligar o foda-se e mandar tudo à merda? como dá para ligar o foda-se se tudo é tão importante que lhe tira o sono? como dá para ter insônia quando você está muito cansado e boceja loucamente? como dá para não conseguir mais dormir direito? como dá para não conseguir dormir, e quando conseguir, não querer mais acordar? como dá para a melhor parte da sua vida ser a que você passa desacordado? como dá para não procurar um pisq-qualquer-coisa para ver se você tem jeito? como dá para pensar em procurar um pisq-qualquer-coisa para ver se ele lhe receita algum anti-depressivo só para misturar com álcool e ver se dá barato ou se você morre? como dá para falar isso para alguém com um tipo de ironia no ar, como se você não se importasse? como dá para não se importar? como dá para parar de sonhar e ser largado à mais horrível e cruel realidade? como dá para não entrar em desespero estando no meio de tudo e ao mesmo tempo fora? como dá para conseguir achar uma saída quando você é um rato burro que ainda não conseguiu entender o que o dono do laboratório quer de você? como dá para continuar indo atrás do queijo, pegando-o e levando choque toda vez? como dá para não aprender com os choques? como dá para não querer que alguém faça tudo isso parar, porque você já está ficando louco? como dá para pedir para parar quando, na verdade, você tá mesmo é gostando desse monte de bosta? como dá para ser masoquista a esse ponto? como dá para continuar sendo masoquista se tudo que você quer é que pare? como dá para pensar em publicar isso? como dá para continuar adicionando coisas com a esperança de ninguém ler? como dá para pensar que com uma visita depois de anos as coisas possam melhorar? como dá para pensar que isso é deliberadamente fruto de uma mente insana e doentia que achava que era sua dona? como dá para excluir as coisas boas que aconteceram só para pensar nessa teoria insana? como dá para contar hoje a coisa para única pessoa a quem você tinha medo de contar há quatro anos atrás? como dá para um despretensioso feliz aniversário se tornar nesse martírio? como dá para pensar que o feliz aniversário foi despretensioso? como dá para ter essa mente louca que bola planos mirabolantes que não fazem sentido pra ninguém, nem para você mesmo? como dá para colocar esses planos em prática e ainda ficar orgulhoso deles? como dá para apostar todo o resto de nada que você tem numa rodada em que você está blefando abertamente? como dá para ver se uma conversa pode melhorar as coisas? como dá para desconfiar de alguém que te amou e que continua te amando intensamente? como dá para ter medo dessa pessoa? como dá para não ter medo dessa pessoa? como dá para tentar buscar respostas para as perguntas que você nem sabe fazer? como dá para reatar algo que você conseguiu se livrar de forma incrível e astuta sem maiores problemas aparentes? como dá para achar que a maldição que se aplica à sua vida é resultado dessa fuga astuta? como dá para não ficar louco com tudo isso? como dá para não gostar da menina esperta que não dá a mínima para você? como dá para não tentar fazê-la feliz mesmo sabendo que isso é patético e deprimente? como dá para pensar remotamente em publicar isso só para ter o prazer que ninguém vai chegar a o ponto de ler até essa frase, e que se chegar ao ponto, vai comentar só porque você disse qeu não chegaria? como dá para pensar em publicar isso? como dá para tentar ser intimista quando você tem aversão a isso? como dá para escrever tudo isso às quatro da manhã de um dia que você acordou cedo para trabalhar? como dá para fazer a loucura e voltar lá? como dá para se preocupar com todas essas coisas ao mesmo tempo? como dá para se achar o máximo quando você não é nada além de um bostinha aspirante a qualquer coisa? como dá para continuar sendo patético acreditando que algo ainda vá dar certo para você? como dá para ficar assim? como dá para pensar que se você colocar a letra da mesma cor do fundo ninguém vai notar o espação branco e resolver selecionar o texto? como dá para pedir que ninguém fale nada? como dá para pedir aos outros que finjam que não leram só para você se sentir melhor consigo mesmo e com a sua mediocridade? como dá para tentar resolver essas coisas, quando elas não tem solução?
medo.
17.4.09
12.4.09
diálogo sadio de casal
tenho sono, me deixe dormir! não, não quero você aqui! saia antes que eu lhe faça sair à força. não quero conversar com você agora. mas, por favor, é só um segundo, é importante. para o inferno com a importância, saia antes que eu pegue uma faca e lhe degole! só me deixe explicar, por favor? o que você quer explicar, seu retardado? que colocaram cocô no lugar do seu cérebro?! que você é o mais baixo dos animais? seu puto! mas, meu bem, por favor, pare de me empurrar para a porta, abaixe essa faca! ABAIXE ESSA FACA!!! *SLAM!!!* ... ... ... *TOC TOC!!!* ... ... ... *toc toc?!* ... ... *toc????* amor? abra a porta, por favor? ... amor? ... meu bem, vamos conversar, por favor? ... amor, fale comigo, você está me assustando... coração, você está bem? por favor, responda... ... SAI COM ESSA FACA DAQUI, SUA LOUCA! VOCÊ NÃO QUERIA QUE EU ABRISSE A PORTA PARA VOCÊ, SEU VAGABUNDO??? NÃO QUERIA??!! agora você vai, ahhh, vai sim, vai conhecer... minha mais nova amiga! amor, por fav- e eu? ah... eu vou, FI-NAL-MEN-TE, conhecer sua beleza... isso, querida, calma sua beleza interior, SEU BASTARDO! SUA PIRANHA LOUCA! VOCÊ QUASE ME MATOU JOGANDO ESSA MERDA DE FACA NA MINHA DIREÇÃO, SUA VAGABUNDA!! essa-faca-não-foi-nem-o-começo... espere até conhecer nossa mais nova amiga que eu comprei essa semana pela internet pra te dar de presente de aniversário... ah, amor, que gentil, não precisava comprar um presente para mim. você é o máximo! estou entrando, posso? pode-sim-queeeriiido... assim é melhor, você a verá mais de perto... NÃO, NÃO, amorzinho, abaixe essa furadeira, desligue da tomada, por favor... *wiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrhhlllllll* agora... você... vai... aprender... a... NUNCA... MAIS... NA SUA VIIIDA... não, não, meu amor, por favor, me deixe explicar... explicar o que, seu cretino?! que você não consegue segurar esse protótipo de pau dentro das calças?! não, amor, não foi iss- NÃO FOI ISSO O CARALHO!!! EU VI! pára, pára de jogar a decoração em cima de mim! sua louca insana! ... ... isso, se acalma, tira a furadeira da tomada... isso, assim está ficando melhor... me desculp- não, meu amor, me desculpe você... isso, sente aí na cama. assim, isso, assim está melhor. ... nossa, como você está tenso, vou lhe fazer uma massagem. sua louca, me desamarra, tira esse monte de fita daqui! VOCÊ PASSOU SUPER BONDER NA CAMA, SUA INSANA???? HAHAHAHAHAHAHAHA, otário! HAHAHA!!! você não queria falar? então, agora você vai explicar tudinho! só que, *wiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrhhlllllll* se eu não gostar da explicação, *wiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrhhlllllll*, você será formalmente apresentado à nossa mais nova *wiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrhhlllllll* companheira! mas, amor... mas, amor o que? você não queria se explicar? aqui está sua chance. se explica agora! tá, amor, te explico... mas fica calma, por fav- *BAM, BAM, BAM* AQUI É DA POLÍCIA, ABRA A PORTA AGORA! ... SE NÃO ABRIREM A PORTA EM UM MINUTO IREMOS ARROMBAR!! *BÂM, BÂM, SBROMCH, CRASH* a sala tá limpa, veja a cozinha, madureira! ... cozinha limpa, devem estar no quarto *wiiiiiiiiiiiiirrrrrrrrhhlllllll* HAHAHAHA amor, pára, por favor, a polícia tá aí! SUA PIRANHA LOUCA, PÁRA COM ESSA MERDA, CARALHO! senhora, por favor, coloque essa furadeira no chão e vire para a parede!cuidado, seu policial, ela está louca, variando total, ela é capaz de qualquer coisa! senhor, por favor, não interfira, esse é assunto da polícia. senhora, por favor. isso, assim, com calma. agora, se vire para a parede. coloque as mãos atrás da cabeça. isso, muito bem. madureira, solte o homem, por favor. obrigada, senhor policial. filho da puta, se eu for fichada por sua causa...senhora, fique quieta para seu próprio bem. agora os dois para a delegacia. só viemos com uma viatura, então quero que vocês se comportem, se eu tiver que parar o carro uma vez só para coibir o comportamento insano de vocês vai ser desacato, aí vocês vão ter que se virar com a justiça. ... ... amor... posso lhe explicar agora? calados aí. que merda, tanta coisa mais importante pra fazer, ter que levar um casal de loucos pra delegacia... ... ... ... isso, agora desce do carro e me acompanhe. ... o que, o delegado não está?! que merda! aí, vocês dois, vão ter que ir pro xadrês. vão ficar em celas separadas, mas vão ficar em celas vizinhas, pra ver se um de vocês consegue colocar juízo na cabeça do outro. ... ... isso, entra aí. ... agora você. amor..? que foi, seu puto? deixa eu explicar... fala, não posso ir a lugar algum por sua causa! amor, ela é uma amiga minha, uma urologista. tava sentindo uma coceira no pau, daí, como ela estava por aqui, pedi pra ela dar uma passadinha para ver o que era... ah, e eu sou o bozo, seu infame! é sério, amor, não notou que ela usava luvas??! é... agora estou me recordando... jura para mim que é verdade, meu amor? juro, princesa, aqui, me dê sua mão. olha, dessa vez eu te perdôo, na próxima você já sabe qual parte do seu corpo será mutilada, né? sei sim, meu amor... essa gente nunca será capaz de entender um casal que se ama, não é? é verdade...
coisas:
contos
10.4.09
sobre música, bateria e dias passados.
hoje foi um dia dos mais difíceis de acontecer. levantei antes das três da tarde num dia que não teria que trabalhar, passei a tarde inteira pegando pedaços pela casa, limpando e montando minha bateria. ainda consegui sentar atrás dela e tirar um sonzinho. depois desmontei, limpei mais um pouco, organizei todas as coisas e desmontei. sinto falta de tocar. fazia tanto tempo que eu não olhava para todas as peças juntas e montadinhas que eu não lembrava o quanto ela é linda. o quanto eu amo o fato de eu ter conseguido realizar um sonho ao comprá-la e ao ter aprendido a tocar.
quanto era impossível no começo eu manter o tempo e até entender que raios um tempo era! coisa inimaginável para um baterista. ela me ajudou muito a evoluir tocando. há um ano tenho tocado air drums pelo simples fato de não poder tocá-la. tinha que sentar atrás dela e ver se eu tinha conseguido aprender as coisas que eu achei que eu tinha aprendido, e não é que eu aprendi mesmo?
estou nostálgica e vou escrever sobre como eu comecei a tocar. uma porque você que lê provavelmente não sabe a peleja travada que foi para essa que lhe fala aprender a tocar mal um instrumento musical outra porque eu estou afim de me mostrar um pouco.
tudo começou em 2004 ou 2005, não me lembro direito. cursinho pré-vestibular, a época que eu aprendi a viver aos olhos de alguns e desandei aos olhos de outros, vida social em crescimento acelerado, quando uma menina bem idiota vira e fala a seguinte frase: "vamos fazer uma banda?" e essa que vos escreve responde "porra, demorou!". na época, não sabia tocar nada, muito menos cantar. mesmo assim fomos em frente. e não é que a bandinha deu certo? deu mais certo do que eu queria que tivesse dado no começo da história. cheguei até a ir para outro estado tocar, e foi a viagem mais legal da minha vida. isso tudo foi um grande sonho incrível realizado. um sonho que não teria condição alguma de ter sido realizado. não tenho talento musical algum. sou uma pata.
quando eu era adolescentezinha, 14, 15 anos, eu sempre ficava triste depois de assistir a qualquer apresentação musical ao vivo e não entendia bem o motivo. depois de um tempo eu descobri que era porque eu queria muito ter uma banda e estar em cima de um palco com pessoas olhando pra mim e pulando ou balançando a cabeça ou batendo o pé no ritmo da música. mas, mesmo assim, não tinha talento musical algum, isso jamais aconteceria. então, quando a menina idiota mencionada acima falou a frase que também já foi escrita, ela mudou minha vida. começamos com a banda, chamamos mais uma pessoa, e a configuração inicial foi duas guitarras, as duas meninas, e vocal, eu. eu não sei cantar, nunca aprendi e não tenho o mínimo talento. mas fomos levando assim, descobrimos que tínhamos muita química musical, compor músicas era extremamente fácil para nós três.
até que aconteceu algo extremamente inusitado, inesperado e bizarro. uma professora de inglês que tive estava migrando de instrumento musical e ela não tinha espaço para o kit de bateria dela. ela simplesmente me deu o equipamento dela. assim, sem mais nem menos, ela deu. tudo bem que o equipamento não era lá grande coisa, mas para quem não tinha nada, foi algo incrível, sou eternamente grata à ela. com a chegada inesperada do instrumento mais caro e mais difícil de achar alguém que tocasse, chamamos uma menina que estudou na mesma escola que eu para tocar baixo, a menina que falou a frase que mudou minha vida foi para os vocais e eu assumi os tambores. logo depois disso acontecer, um amigo me apresentou um amigo dele que nos chamou para fazer um show. o logo depois que me refiro é questão de um dia ou dois. falei com as meninas, topamos e fechamos o show. teríamos um mês para fazer um setlist com músicas próprias e covers e, o mais difícil, eu teria um mês para aprender a tocar todas as músicas.
aí, você pode pensar: "ah, um mês, de boa.". não, não era de boa. lembro-lhe que estamos falando de mim, a pessoa que não tem talento musical. a pessoa que não sabia o que era tempo, não tinha o mínimo de coordenação motora básica, imagina interdependência nos quatro membros? era algo inimaginável aprender a tocar um set list com mais de dez músicas em um mês. absolutamente ninguém acreditava que eu conseguiria, membros da banda chegaram a sugerir que arrumássemos um baterista de verdade para tocar naquele show. nem mesmo minha mãe acreditava que eu conseguiria. o mês passou, ensaiamos loucamente durante todo ele e só lhe digo uma coisa: foi o show que eu menos errei em toda minha vida. foi um dos dias mais felizes da minha vida, foi o dia que eu tive tudo que eu sempre queria ter tido.
depois disso, e com um emprego estável e decente, comprei uma bateria de verdade, a mesma que me acompanha até os dias atuais. fui melhorando aos poucos, a banda foi crescendo, ganhando espaço, fazendo até dois shows no mesmo dia, sendo convidada pra festivais grandes da cena que tentávamos conseguir algum espaço. gravamos um cd demo que ficou bom, fomos tocar fora do estado, fizemos shows em casas de show de respeito na cena alternativa de são paulo. no meio tempo, comecei a fazer aulas. fiz seis meses de aulas com um professor que tocava muito bem mas eu não sei bem se ele era um bom professor ou não, o que importa é que eu evoluí um pouco. logo depois disso, larguei a banda, a bateria e a música. pensei em vender a bateria e todo o equipamento que comprei para usar o dinheiro para outras coisas, pensei em largar a música e tudo mais, afinal, meu sonho já tinha se realizado.
nos últimos tempos tenho sentido uma falta imensa de tocar. imensa mesmo. talvez eu entre para uma banda e estou montando um praticável (para os leigos é uma paradinha que dá pra treinar bateria sem fazer barulho). a música volta aos poucos à minha vida, ela faz falta e talvez eu volte a estar feliz como eu estava na época da finada banda.
escrevi tudo isso porque brincar de montar a bateria e sentar atrás dela e tocar um pouco me fez ver o quanto isso é importante pra mim e hoje eu acho que eu nunca vou vender minha bateria ou me desfazer dela. nós duas ainda vamos conseguir muita coisa juntas.
quanto era impossível no começo eu manter o tempo e até entender que raios um tempo era! coisa inimaginável para um baterista. ela me ajudou muito a evoluir tocando. há um ano tenho tocado air drums pelo simples fato de não poder tocá-la. tinha que sentar atrás dela e ver se eu tinha conseguido aprender as coisas que eu achei que eu tinha aprendido, e não é que eu aprendi mesmo?
estou nostálgica e vou escrever sobre como eu comecei a tocar. uma porque você que lê provavelmente não sabe a peleja travada que foi para essa que lhe fala aprender a tocar mal um instrumento musical outra porque eu estou afim de me mostrar um pouco.
tudo começou em 2004 ou 2005, não me lembro direito. cursinho pré-vestibular, a época que eu aprendi a viver aos olhos de alguns e desandei aos olhos de outros, vida social em crescimento acelerado, quando uma menina bem idiota vira e fala a seguinte frase: "vamos fazer uma banda?" e essa que vos escreve responde "porra, demorou!". na época, não sabia tocar nada, muito menos cantar. mesmo assim fomos em frente. e não é que a bandinha deu certo? deu mais certo do que eu queria que tivesse dado no começo da história. cheguei até a ir para outro estado tocar, e foi a viagem mais legal da minha vida. isso tudo foi um grande sonho incrível realizado. um sonho que não teria condição alguma de ter sido realizado. não tenho talento musical algum. sou uma pata.
quando eu era adolescentezinha, 14, 15 anos, eu sempre ficava triste depois de assistir a qualquer apresentação musical ao vivo e não entendia bem o motivo. depois de um tempo eu descobri que era porque eu queria muito ter uma banda e estar em cima de um palco com pessoas olhando pra mim e pulando ou balançando a cabeça ou batendo o pé no ritmo da música. mas, mesmo assim, não tinha talento musical algum, isso jamais aconteceria. então, quando a menina idiota mencionada acima falou a frase que também já foi escrita, ela mudou minha vida. começamos com a banda, chamamos mais uma pessoa, e a configuração inicial foi duas guitarras, as duas meninas, e vocal, eu. eu não sei cantar, nunca aprendi e não tenho o mínimo talento. mas fomos levando assim, descobrimos que tínhamos muita química musical, compor músicas era extremamente fácil para nós três.
até que aconteceu algo extremamente inusitado, inesperado e bizarro. uma professora de inglês que tive estava migrando de instrumento musical e ela não tinha espaço para o kit de bateria dela. ela simplesmente me deu o equipamento dela. assim, sem mais nem menos, ela deu. tudo bem que o equipamento não era lá grande coisa, mas para quem não tinha nada, foi algo incrível, sou eternamente grata à ela. com a chegada inesperada do instrumento mais caro e mais difícil de achar alguém que tocasse, chamamos uma menina que estudou na mesma escola que eu para tocar baixo, a menina que falou a frase que mudou minha vida foi para os vocais e eu assumi os tambores. logo depois disso acontecer, um amigo me apresentou um amigo dele que nos chamou para fazer um show. o logo depois que me refiro é questão de um dia ou dois. falei com as meninas, topamos e fechamos o show. teríamos um mês para fazer um setlist com músicas próprias e covers e, o mais difícil, eu teria um mês para aprender a tocar todas as músicas.
aí, você pode pensar: "ah, um mês, de boa.". não, não era de boa. lembro-lhe que estamos falando de mim, a pessoa que não tem talento musical. a pessoa que não sabia o que era tempo, não tinha o mínimo de coordenação motora básica, imagina interdependência nos quatro membros? era algo inimaginável aprender a tocar um set list com mais de dez músicas em um mês. absolutamente ninguém acreditava que eu conseguiria, membros da banda chegaram a sugerir que arrumássemos um baterista de verdade para tocar naquele show. nem mesmo minha mãe acreditava que eu conseguiria. o mês passou, ensaiamos loucamente durante todo ele e só lhe digo uma coisa: foi o show que eu menos errei em toda minha vida. foi um dos dias mais felizes da minha vida, foi o dia que eu tive tudo que eu sempre queria ter tido.
depois disso, e com um emprego estável e decente, comprei uma bateria de verdade, a mesma que me acompanha até os dias atuais. fui melhorando aos poucos, a banda foi crescendo, ganhando espaço, fazendo até dois shows no mesmo dia, sendo convidada pra festivais grandes da cena que tentávamos conseguir algum espaço. gravamos um cd demo que ficou bom, fomos tocar fora do estado, fizemos shows em casas de show de respeito na cena alternativa de são paulo. no meio tempo, comecei a fazer aulas. fiz seis meses de aulas com um professor que tocava muito bem mas eu não sei bem se ele era um bom professor ou não, o que importa é que eu evoluí um pouco. logo depois disso, larguei a banda, a bateria e a música. pensei em vender a bateria e todo o equipamento que comprei para usar o dinheiro para outras coisas, pensei em largar a música e tudo mais, afinal, meu sonho já tinha se realizado.
nos últimos tempos tenho sentido uma falta imensa de tocar. imensa mesmo. talvez eu entre para uma banda e estou montando um praticável (para os leigos é uma paradinha que dá pra treinar bateria sem fazer barulho). a música volta aos poucos à minha vida, ela faz falta e talvez eu volte a estar feliz como eu estava na época da finada banda.
escrevi tudo isso porque brincar de montar a bateria e sentar atrás dela e tocar um pouco me fez ver o quanto isso é importante pra mim e hoje eu acho que eu nunca vou vender minha bateria ou me desfazer dela. nós duas ainda vamos conseguir muita coisa juntas.
coisas:
fatos cotidianos do dia a dia,
ode ao ego
9.4.09
notas mentais:
- parar de postergar o trabalho que tenho que fazer em casa para a hora que eu cansar da internet. dormir às quatro da manhã para acordar super cedo e ainda ensinar o dia inteiro não é uma coisa das mais saudáveis de se fazer.
- diminuir o número de cigarros que eu fumo durante o período que estou na frente do computador.
- pensar urgentemente em algo para fazer da vida. não dá mais para ficar acreditando que algum dia eu vá viver de uma banda ou de um livro de sucesso - nem terei saco pra ser professora pra sempre.
- guardar dinheiro para morar com meus amigos e comprar eletrodomésticos e NÃO comprar um hd externo.
- tentar ser menos idiota.
acho que é só isso.
- diminuir o número de cigarros que eu fumo durante o período que estou na frente do computador.
- pensar urgentemente em algo para fazer da vida. não dá mais para ficar acreditando que algum dia eu vá viver de uma banda ou de um livro de sucesso - nem terei saco pra ser professora pra sempre.
- guardar dinheiro para morar com meus amigos e comprar eletrodomésticos e NÃO comprar um hd externo.
- tentar ser menos idiota.
acho que é só isso.
coisas:
insanidades
3.4.09
sozinha, no escuro
sozinha, no escuro ela alucinava. notava sons disformes provindos de alguma região estranha. nenhuma fonte de luz visível, ninguém para tirá-la de lá, nada além do ar gélido da madrugada, sem nenhum cobertor ou qualquer fonte de calor, ela tremia despida sozinha no escuro.
ninguém havia chegado tão longe na escuridão de sua alma. ninguém havia sequer chegado perto dela. já se acostumara a estar na escuridão total, os outros sentidos se desenvolveram mais que o normal, ela notava coisas que ninguém jamais conseguira, ela tinha muito mais do que qualquer um pudesse sonhar em conseguir, e conquistou tudo, sozinha, no escuro.
era humana, apesar de tudo. tinha consciência, inteligência, malícia e um toque um tanto singelo de podridão, definitivamente era humana. o escuro a confortava, a deixava mais forte, a escuridão intransponível era sua barreira contra todas as coisas indesejadas, toda dor e todo sofrimento. o escuro era seu escudo. um escudo que lhe fazia muito bem, além de protegê-la, ele havia conseguido que ela desenvolvesse outras habilidades, outros pontos de vista - mesmo sem conseguir enxergar -, outras sensações, outra forma de vida. ela não tinha problemas, nada conseguia adentrar a escuridão que a rodeava, nem a mais puntiforme fonte de luz jamais brilharia em seus olhos, ela era única.
não acreditava em bem ou mal, certo ou errado, sim ou não, para ela não havia esse maniqueísmo exacerbado. ela tinha seu próprio idioma, seu próprio estado, sua própria igreja, sua própria sociedade. deixava de ter coisas básicas que todo e qualquer ser humano tem, mas para ela não fazia diferença, uma vez que jamais chegou a conhecer outra coisa além do escuro ensurdecedor que a rodeava.
uma vez, todavia, tentou se aventurar pela claridade. não durou nem um segundo, a mais ínfima fonte de luz ofuscara seus olhos, trazendo dor insuportável. a dor tomou conta de seu ser, ela deixou de existir por alguns instantes, foi a dor mais aguda que sentira em sua vida. após esse episódio, ela jamais tentara sair do escuro e se sentiu mal por tentar descobrir se havia algo além do grande nada que a rodeava, sentiu que havia traído algo que sempre lhe fizera tanto bem. ela nunca chegaria a conhecer o tipo de dor que você conhece, da mesma forma que você jamais saberá o tipo de dor que ela sentiu quando tentou olhar de relance uma pequenina fonte de luz.
se você tivesse a chance de vê-la, a acharia mais indefesa do que um animal acuado e aterrorizado de pavor. e você sentiria pena dela. você sentiria dó dela, tentaria ajudá-la, chegaria mais perto, e ela te atacaria como um animal feroz ataca sua presa, ela te atacaria com tanto afinco como uma pessoa que está prestes a morrer se agarra na última chance de sobrevivência. e você tentaria se livrar do ataque dela e correr pela sua vida, se conseguisse, jamais voltaria lá para tentar domá-la.
ela não era um animal, ela era mais sublime que o sentimento mais puro de amor que qualquer ser humano possa ter sentido. ela era sua evolução, ela era a imagem da auto-suficiência, ela não precisava de nada além dela própria.ela era melhor que qualquer ser humano, sozinha, no escuro.
ela sabia mais das coisas da vida, ela saberia viver em sociedade melhor do que ninguém, conseguiria dominar massas, fazer revoluções, exterminar raças, salvar o planeta... mas ela decidiu ficar em outro lugar. o resto dos ambientes eram impuros demais para recebê-la, ela poderia salvar o mundo, incluindo você, mas ela não podia, ela estava presa, sozinha, no escuro.
ninguém havia chegado tão longe na escuridão de sua alma. ninguém havia sequer chegado perto dela. já se acostumara a estar na escuridão total, os outros sentidos se desenvolveram mais que o normal, ela notava coisas que ninguém jamais conseguira, ela tinha muito mais do que qualquer um pudesse sonhar em conseguir, e conquistou tudo, sozinha, no escuro.
era humana, apesar de tudo. tinha consciência, inteligência, malícia e um toque um tanto singelo de podridão, definitivamente era humana. o escuro a confortava, a deixava mais forte, a escuridão intransponível era sua barreira contra todas as coisas indesejadas, toda dor e todo sofrimento. o escuro era seu escudo. um escudo que lhe fazia muito bem, além de protegê-la, ele havia conseguido que ela desenvolvesse outras habilidades, outros pontos de vista - mesmo sem conseguir enxergar -, outras sensações, outra forma de vida. ela não tinha problemas, nada conseguia adentrar a escuridão que a rodeava, nem a mais puntiforme fonte de luz jamais brilharia em seus olhos, ela era única.
não acreditava em bem ou mal, certo ou errado, sim ou não, para ela não havia esse maniqueísmo exacerbado. ela tinha seu próprio idioma, seu próprio estado, sua própria igreja, sua própria sociedade. deixava de ter coisas básicas que todo e qualquer ser humano tem, mas para ela não fazia diferença, uma vez que jamais chegou a conhecer outra coisa além do escuro ensurdecedor que a rodeava.
uma vez, todavia, tentou se aventurar pela claridade. não durou nem um segundo, a mais ínfima fonte de luz ofuscara seus olhos, trazendo dor insuportável. a dor tomou conta de seu ser, ela deixou de existir por alguns instantes, foi a dor mais aguda que sentira em sua vida. após esse episódio, ela jamais tentara sair do escuro e se sentiu mal por tentar descobrir se havia algo além do grande nada que a rodeava, sentiu que havia traído algo que sempre lhe fizera tanto bem. ela nunca chegaria a conhecer o tipo de dor que você conhece, da mesma forma que você jamais saberá o tipo de dor que ela sentiu quando tentou olhar de relance uma pequenina fonte de luz.
se você tivesse a chance de vê-la, a acharia mais indefesa do que um animal acuado e aterrorizado de pavor. e você sentiria pena dela. você sentiria dó dela, tentaria ajudá-la, chegaria mais perto, e ela te atacaria como um animal feroz ataca sua presa, ela te atacaria com tanto afinco como uma pessoa que está prestes a morrer se agarra na última chance de sobrevivência. e você tentaria se livrar do ataque dela e correr pela sua vida, se conseguisse, jamais voltaria lá para tentar domá-la.
ela não era um animal, ela era mais sublime que o sentimento mais puro de amor que qualquer ser humano possa ter sentido. ela era sua evolução, ela era a imagem da auto-suficiência, ela não precisava de nada além dela própria.ela era melhor que qualquer ser humano, sozinha, no escuro.
ela sabia mais das coisas da vida, ela saberia viver em sociedade melhor do que ninguém, conseguiria dominar massas, fazer revoluções, exterminar raças, salvar o planeta... mas ela decidiu ficar em outro lugar. o resto dos ambientes eram impuros demais para recebê-la, ela poderia salvar o mundo, incluindo você, mas ela não podia, ela estava presa, sozinha, no escuro.
coisas:
contos
2.4.09
sobre o passado
hoje vi algumas fotos velhas. velhas mesmo, de quase um ano atrás, além de me impressionar com o tamanho que eu estava, me impressionei com outra coisa: deu vergonhazinha por eu ter feito as coisas que eu fiz. não todas as coisas, mas algumas. vergonhazinha, quase como uma vergonha alheia. em um ano suas concepções mudam absurdamente, coisas são incorporadas, outras descartadas.
hoje senti vergonha de mim mesma, e ainda foi de uma daquelas coisas que a gente nunca acha que sentirá vergonha na vida. você já se deparou com isso? deu vergonha de tudo, do que foi, do fim que teve, do jeito que eu me senti depois, que medo! foi bem o tipo de situação que todo mundo percebia e eu não, aquele tipo de situação que você só consegue reparar quando está fora dela.
as fotos em questão foram umas que eu devo ter visto só uma vez, estavam em um arquivo compactado nomeado como "para jo", como tenho boa memória, nem lembrava o que existia para mim. como tenho preguiça de descompactar qualquer arquivo, então só vejo uma vez pra ver se tem alguma coisa que eu ache interessante. MEU DEUS (na falta de uma interjeição melhor, vai essa mesmo), eu estava uma baleia, bizarrinha, com uma cara de otária por uma pessoa que conseguia ser muito mais otária que eu e eu não percebi até uns dois meses atrás. quer figura mais horrível de si mesma do que isso?
o problema da história (ou solução, dependendo do ponto de vista...) é que as pessoas mudam muito e constantemente. o que acarreta na mudança de visão: o que era bonito não é mais, o que era legal passa a ser despresível, e o ser em questão passa a sentir vergonha de ter feito algo. nunca tinha sentido isso com tanta intensidade, fiquei com vergonha de mim, e o pior, no meu caso, nem foi uma daquelas coisas de quando se tem vinte anos e vê algum diário de quando tinha treze. foi mais ou menos há um ano atrás. só agradeço por não ter mais aquela aparência nem por estar cega como naquela época. ufa!
desconfio que isso seja obra do ego ausente. to começando a ficar com medo de verdade dessa história de não ser mais a melhor do mundo... é bom, porque assim eu aprendi a não cometer os mesmos erros. resoluções de março. adoro.
hoje senti vergonha de mim mesma, e ainda foi de uma daquelas coisas que a gente nunca acha que sentirá vergonha na vida. você já se deparou com isso? deu vergonha de tudo, do que foi, do fim que teve, do jeito que eu me senti depois, que medo! foi bem o tipo de situação que todo mundo percebia e eu não, aquele tipo de situação que você só consegue reparar quando está fora dela.
as fotos em questão foram umas que eu devo ter visto só uma vez, estavam em um arquivo compactado nomeado como "para jo", como tenho boa memória, nem lembrava o que existia para mim. como tenho preguiça de descompactar qualquer arquivo, então só vejo uma vez pra ver se tem alguma coisa que eu ache interessante. MEU DEUS (na falta de uma interjeição melhor, vai essa mesmo), eu estava uma baleia, bizarrinha, com uma cara de otária por uma pessoa que conseguia ser muito mais otária que eu e eu não percebi até uns dois meses atrás. quer figura mais horrível de si mesma do que isso?
o problema da história (ou solução, dependendo do ponto de vista...) é que as pessoas mudam muito e constantemente. o que acarreta na mudança de visão: o que era bonito não é mais, o que era legal passa a ser despresível, e o ser em questão passa a sentir vergonha de ter feito algo. nunca tinha sentido isso com tanta intensidade, fiquei com vergonha de mim, e o pior, no meu caso, nem foi uma daquelas coisas de quando se tem vinte anos e vê algum diário de quando tinha treze. foi mais ou menos há um ano atrás. só agradeço por não ter mais aquela aparência nem por estar cega como naquela época. ufa!
desconfio que isso seja obra do ego ausente. to começando a ficar com medo de verdade dessa história de não ser mais a melhor do mundo... é bom, porque assim eu aprendi a não cometer os mesmos erros. resoluções de março. adoro.
coisas:
fatos cotidianos do dia a dia,
insanidades
1.4.09
férias
meu ego foi viajar e levou com ele parte da minha personalidade. to estranhando viver e me considerar uma pessoa como qualquer outra. estranhando bastante.... mas ele se foi e acho que vai demorar pra voltar. se essa folga do ego não acarretar em algo mais sério durante esse mês terei que achar algo pra fazer. droga.
f5
deixei de ser trouxa também. vem me zoar agora, vem. tentei ser boazinha por dois anos inteiros, só me fodi e levei na testa literalmente.
the old me is back.pelo menos até eu dormir hoje à noite.
f5
deixei de ser trouxa também. vem me zoar agora, vem. tentei ser boazinha por dois anos inteiros, só me fodi e levei na testa literalmente.
the old me is back.pelo menos até eu dormir hoje à noite.
coisas:
ode ao ego
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